Indústria naval reclama de falta de encomendas para a retomada

Anderson Carvalho –

Embora o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tenha acenado com opções de financiamento ao setor naval fluminense, o maior problema, segundo o segmento, é a falta de encomendas de navios. Atualmente, os estaleiros, principalmente de Niterói, estão praticamente parados, com cerca de três mil funcionários, segundo o Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval). Até 2014 eram 30 mil nos 18 estaleiros do Estado. Hoje só há cinco empresas. Entre eles, o Mauá e o Mac Laren, no bairro da Ponta da Areia.

“Não acreditamos que seja somente a questão de garantias que atrapalha o setor naval hoje. O problema é muito maior: a falta de encomendas. Se não houver novas encomendas, dificilmente a indústria naval em Niterói ou em qualquer outro município de qualquer estado conseguirá se reerguer”, afirmou o vice-presidente do Sinaval, Sérgio Bacci, porta-voz da instituição.

Já Luiz Marcelo Martins Almeida, gerente do departamento de Gás, Petróleo e Cadeia Produtiva do BNDES, está otimista com relação ao futuro do setor. Para ele, 2018 deve ser o último de crise para o setor naval brasileiro. “As empresas petroleiras vão retomar os investimentos em embarcações para fazer frente aos projetos adquiridos nos leilões dos últimos anos e também porque estão mais fortalecidas financeiramente com a alta da cotação do petróleo. No futuro, com a retomada dos investimentos, os demandantes podem apresentar garantias no lugar dos estaleiros”, afirmou.

No último dia 15, na feira da Marintec South América, no Centro de Exposições Sul América, no Centro do Rio, realizada pela UBM Brazil, Almeida apresentou as propostas de financiamento ao setor e teve a presença de mais de 80 marcas brasileiras e estrangeiras.

“A frota da marinha brasileira é muito antiga, sendo evidente uma grande demanda. A possibilidade de tirar a indústria naval do marasmo pode vir com o recurso do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que a partir da medida provisória permitirá a Marinha a contratar ainda este ano a construção de 24 novas embarcações”, garantiu Bacci na ocasião. O Fundo é usado para financiar o setor naval. Graças a MP, pode haver destinação de recurso para a Marinha sem precisar de restituição.

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