Indústria naval cobra apoio para retomada do setor

Raquel Morais –

Foi realizada ontem (25) uma reunião com representantes da Associação Conselho Empresarial Naval-Offshore e Serviços de Niterói e Adjacências (Asscenon), empresários do setor naval e o presidente da agência de investimentos Rio Negócios e Nit Negócios. O encontro serviu para reunir possibilidades para retomada do setor, que incluem desde infraestrutura para a Ilha da Conceição até a tão esperada dragagem do Canal de São Lourenço. O documento será elaborado pela agência e apresentado à Prefeitura de Niterói nos próximos dias.

O presidente da Asscenon, Elízio Moreira da Fonseca, explicou que seria preciso investimentos na infraestrutura da Ilha da Conceição para começar a retomada do setor.

“O depósito de lixo no bairro é um problema de saúde pública. Quando chove a situação fica insustentável e vamos marcar uma reunião com as autoridades para tratar desse assunto. Chegou o momento da gente cobrar melhorias. O mar é nosso e precisamos tomar conta dele. Fazer a dragagem é outro ponto que temos que cobrar muito, pois há sete anos estamos esperando isso acontecer”, pontuou.

O diretor do estaleiro TCE, Rogério Alcaite, explicou que na altura da empresa, na Baía de Guanabara, quando a maré está alta a água chega aos 3,5 metros, o que é muito abaixo do necessário. Se tivesse nove metros de profundidade o estaleiro poderia atender 90% da demanda do mercado. “Hoje não podemos realizar dez por cento dos serviços que poderiam ser feitos”, frisou.

O diretor do estaleiro Girassol, Mauro José Moreira, também pontuou o assoreamento como o lado negativo para o setor.

“Trabalhamos com construções de novos navios, reparos navais e apoio marítimo e, para isso, precisamos de canais livres. Isso vai ajudar na retomada da indústria de reparos, melhorar a qualidade da água com entrada de peixes e até os pescadores vão se beneficiar”, completou.

Apresentados os problemas e as possíveis soluções, o presidente da Rio Negócios e Nit Negócios, Marcelo Haddad, explicou que o prefeito Rodrigo Neves havia pedido ao setor para elaborar o relatório com as demandas da categoria para a cidade.

“Conversei com representantes de diversas áreas como acadêmicos, empresários do setor de estaleiros, da Petrobras e Firjan. Nessas conversas ouvi pontos de vista de como retomar a indústria naval. Agora, esses pontos vão somar no relatório final”, finalizou.

A Prefeitura de Niterói informou que está custeando a análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para a dragagem do canal de São Lourenço. O estudo tem investimento R$ 772.598,53 (custeados integralmente pela Prefeitura de Niterói) e deverá ser concluído até o fim do ano. A obra de dragagem é de responsabilidade do Ministério dos Portos. Estão sendo realizados estudos de ocupação do solo urbano e impacto de vizinhança, incluindo os usos residenciais, comerciais de serviço, lazer e industrial. Também estão sendo analisados os aspectos econômicos, que incluem economia social e renda média da população no entorno, assim como nível de empregabilidade, proporção da população economicamente ativa, número de habitantes por idade, etnia e sexo.

Em paralelo é realizado um estudo geológico através da análise de solo, níveis de ruídos subaquáticos, caracterização de qualidade da água e qualidade química. Quando concluído, o estudo será apresentado ao Instituto Estadual de Ambiente (Inea), que é o órgão responsável para liberar a licença ambiental. Os resultados, após a análise do Inea, serão apresentados pelo INPH (Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias) aos órgãos competentes do governo Federal, que são os responsáveis legais pela realização da dragagem.

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