Índios de Maricá redescobrem o Brasil através da cultura

Preservando a sobrevivência nativa, aldeia mantém suas tradições

Eram cerca de 4 milhões de índios antes da chegada dos colonizadores no Brasil. Hoje são quase 900 mil em todo o país. Os povos indígenas lutam para manter viva a sua cultura e vencer o preconceito. Em São José de Imbassaí, em Maricá, a aldeia indígena Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã, que significa Aldeia Mata Verde Bonita, luta contra as estatísticas e sobrevive. O grupo saiu de Niterói e se transferiu para a cidade há oito anos. Preservando a sobrevivência nativa, a aldeia abriga 123 índios, dos 896,9 mil existentes em todo o território nacional.

Fotos: Prefeitura de Maricá

De acordo com a cacique Jurema, antes eles viviam em um assentamento na Região Oceânica de Niterói, mas tiveram que sair do local devido a um incêndio. A Prefeitura de Maricá logo assumiu o compromisso de ajudá-los, oferecendo um terreno de 93 hectares no bairro São José de Imbassaí. O local tem toda a infraestrutura de saúde e educação que o povo precisa.

“A gente tem essa escolinha que a prefeitura colocou aqui que atende 13 crianças até o 5° ano. E os pequenos, que são 10, têm aula em uma oca separada. A escolinha tem uma professora e uma diretora. Depois do 5º ano eles vão de bicicleta até lá fora pra depois pegar o ônibus até a escola em Inoã. Estudo é importante e eles não querem parar. Duas vezes por semana vem uma médica aqui e a enfermeira fica todos os dias. Às segundas temos atendimento odontológico”, explicou a Cacique.

Fotos: Prefeitura de Maricá

Ela também explicou que a violência da cidade faz com que eles não sintam vontade de ir para lá. “Índio fora da aldeia é minoria. A gente tem medo da violência. Nós orientamos as crianças, mas sempre ficamos apreensivos. Meu filho estudava em uma escola e tivemos um problema porque as crianças pegaram ele e pintaram o corpo dele todo com batom. Do mesmo jeito que conversamos com nossas crianças explicando sobre a cidade, as pessoas precisam orientar as crianças da cidade também”, disse Jurema.

Com a tecnologia tomando conta rapidamente da cidade, Jurema explica que eles preservam a cultura indígena e ensinam Português e Guarani para as crianças. A comunicação no povoado é feita por meio da língua nativa.

Fotos: Prefeitura de Maricá

A comida vem das plantações de inhame, aipim, milho, couve, batata doce, feijão e cana de açúcar. O peixe vem de um rio que corta as terras indígenas. O mel, retirado de um apiário, é usado para adoçar algumas bebidas. Em abril deste ano eles ganharam uma horta de plantas medicinais, batizada de Horta Medicinal Aldeia Guarani Para Poti Nhe E Já.

Mantendo as tradições, tudo na aldeia é ecologicamente correto. As ocas são erguidas com bambu, madeira e barro. O saneamento básico é um sistema simples e eficiente que utiliza pneus e bananeiras, que formam bacias de evapotranspiração.

Nos fins de semana, é possível encontrar os índios caracterizados, feira de artesanato, restaurante com comida preparada no fogão a lenha, dança e até um bar. Mesmo com todos imunizados com as duas doses da vacina contra a Covid-19, a movimentação de turistas na aldeia diminuiu. Mas quem estiver interessado em visitar o local, a aldeia, que fica no km 19 da RJ-106, é aberta para visitação. Com a pandemia, algumas restrições estão sendo respeitadas e poucas pessoas estão sendo recebidas. É necessário que as pessoas usem máscara no local.

Fotos: Prefeitura de Maricá

Com baixa movimentação, houve uma queda na venda dos artesanatos e eles pediram ajuda para construir a Casa de Reza da Aldeia. Um local importante para fortalecer a cultura indígena.

“A venda do nosso artesanato é o nosso sustento. Mas mesmo com a imunização preferimos não arriscar e estamos em isolamento social. Por isso a situação está difícil e precisamos da ajuda das pessoas para a construção da nossa Casa de Reza. É uma tradição na aldeia e da nossa cultura. É como se fosse uma igreja e onde as crianças são batizadas, onde recebemos o nome em guarani e onde fazemos nossos pedidos. A casa caiu em 2019 de uma maneira que até hoje não entendemos e desde então não conseguimos fazer outra”, contou a cacique Jurema Nunes de Oliveira, 39 anos, conhecida em tupi-guarani como ‘Para yry’.

A Prefeitura de Maricá informou que cumpre o seu papel institucional mantendo uma escola municipal bilíngue (os professores ensinam a língua guarani também), criou uma equipe de Saúde permanente para acompanhamento das duas tribos e tem um setor encarregado de acompanhar os temas relativos a esse assunto e fazer a interlocução, quando necessário, junto aos órgãos estaduais e federais. Mas qualquer ação além disso como é o caso da construção da casa de reza, a Prefeitura apoia mas não tem como alocar recursos em algo que se encontra no âmbito das atribuições da Fundação Nacional do Índio, a quem cabe acompanhar o ambiente indígena em todo o país.

Fotos: Prefeitura de Maricá

A aldeia – Foi formada em abril de 2013 quando chegaram à Maricá após desocuparem uma área na Praia de Camboinhas, na Região Oceânica de Niterói, na então aldeia Semente. O grupo chegou a visitar algumas áreas públicas em Maricá, como por exemplo, no Caxito, Bambuí e Ponta Negra. Segundo eles as áreas ‘não eram espiritualmente boas’ para a aldeia. Segundo a Prefeitura de Maricá foi escolhida uma região de 93 hectares, entre São José do Imbassaí e Itaipuaçu, e com uma estrutura rústica (feita com argila, bambu e palha) fizeram suas ocas, que também ganharam chuveiros com aquecimento de energia solar.

Quem quiser fazer alguma doação para ajudar a aldeia ‘Tekoa Ka’ Aguy Ovy Porã’ pode fazer pelos seguintes dados bancários Banco Itaú – Agência: 9334 C/C: 34043-8
Pix: 21982230162.

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