Índice de acidentes com motocicletas está em alta

Na manhã de quintqa-feira (15), a reportagem de A Tribuna flagrou um acidente de trânsito envolvendo um carro e uma moto. O motoboy teve alguns ferimentos e foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo. O motorista do veículo, que não se identificou, contou que o motoboy só buzinou em cima da hora e o carro que deu passagem para ele não avisou que ele vinha em alta velocidade pelo “corredor”. O acidente chama atenção para as manobras ousadas, alta velocidade e muita ousadia para encarar o trânsito que motoboys de Niterói e São Gonçalo estão acostumados a usar.

Carlos Alberto de Oliveira, funcionário público, confessa que já teve problema no trânsito quando o assunto é motoboy. “A gente tenta evitar esse confronto e geralmente eles estão sempre armados com uma situação. Eles acabam sendo bastante unidos e por mais que a pessoa tenha ração a gente fica um pouco acuado. Uma vez aconteceu uma situação e o rapaz que bateu no meu carro e não aconteceu nada mais grave. Não só os motoboys mas em termos gerais deveriam ser respeitadas a distância e na verdade eles devem ocupar o espaço do carro. Há muitos acidentes devido a audácia que eles fazem”, frisou.

Já o engenheiro Bruno Batista disse que já teve muitos problemas com motoboys no trânsito em Niterói. “Os motoboys usam o corredor e isso atrapalha muito. A gente vai entrar em uma rua ou mudar de uma faixa e mesmo dando seta eles aceleram e isso atrapalha muito, além de avanço de sinal, principalmente em Icaraí. Eles usam a contramão, usam a calçada e não respeitam nem o sentido da via. É muito perigoso”, enumerou.

No bairro da Zona Sul de Niterói, a equipe de reportagem flagrou mais uma manobra ousada. Um motoboy, que vinha pela Rua Domingues de Sá, ao ver o semáforo vermelho, na esquina com a Avenida Roberto Silveira, “cortou caminho” por dentro de um posto de combustíveis.

ACIDENTES EM ALTA

A Nittrans informou que em janeiro de 2021 foram registrados 20 acidentes com motocicletas, quatro a mais do que em janeiro de 2020, quando houve 16 registros. Entretanto, ao longo de 2020 foram registrados 283 acidentes com motocicletas, 12% de redução em comparação com 2019 (324) e 26% de redução em comparação com 2018 (387). As estatísticas de acidentes de trânsito em Niterói são compiladas pela NitTrans a partir de dados do 12º Batalhão da Polícia Militar e estão disponíveis para consulta pública no site da NitTrans.

PM FAZ OPERAÇÕES

O Batalhão de Niterói está atento às infrações e possíveis crimes cometidos por motoboys. De acordo com o coronel Sylvio Guerra, comandante da unidade, constantes ações têm sido realizadas pelo 12º BPM a fim de orientar os motociclistas quanto às boas práticas de trânsito. “Temos varias operações de abordagens focadas no combate à criminalidade e orientações aos motociclistas”, frisou Guerra.

OUTRO LADO DA HISTÓRIA

Dados da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil mostram que a cada hora um motociclista é morto em acidente de trânsito no país. Já Alfredo Barbosa, responsável pela área de conscientização de acidentes do Sindicato dos Empregados Motociclistas do Rio de Janeiro (Sindmotos), explicou que os principais tipos de acidentes envolvendo os motociclistas são: atropelamento de pedestres que atravessam na frente dos ônibus, batidas nos ‘corredores’ das vias e motoristas de carros que abrem as portas e os motociclistas se chocam. “Precisamos trabalhar a educação no trânsito nos dois lados. Os aplicativos pagam muito pouco para os trabalhadores e eles são muito cobrados para cumprirem entrega dentro do horário. É preciso também que esses trabalhadores usem os equipamentos de proteção que incluem capacete, casaco com proteção, não usar tênis e usar uma bota e joelheira que proteja joelho e canela. Os motoboys devem redobrar a atenção e respeitar a velocidade da via também”, contou.

Raquel Morais e Vitor d’Avila

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