Indecisão na eleição da UFF

Wellington Serrano –

A menos de 10 dias para a eleição da reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF) a equipe de reportagem de A TRIBUNA fez uma consulta à comunidade estudantil para saber sobre a escolha do novo reitor e encontrou muitos estudantes que desconhecem a eleição ou estão indecisos. A partir da próxima terça-feira o jornal irá publicar uma série de entrevistas com os candidatos para apresentação das propostas.

Apesar da crise financeira que atingiu todas as universidades brasileiras as eleições estão marcadas entre 16 a 18 abril de 2018, e três candidatos já estão em campanha para ocupar o cargo máximo da UFF durante o período entre 2018 a 2022: o ex-reitor Roberto Salles, o atual vice Antônio Claudio, apoiado pelo reitor Sidney Mello, que desistiu da reeleição, e Sérgio Mendonça. O resultado será apurado entre os dias 19 e 20 e, no caso de eventual segundo turno, ele ocorrerá nos dias 14, 15 e 16 de maio. Serão 94 mil votos, sendo de 80 mil alunos de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado) presencial e à distância; 10.258 professores e quatro mil técnico-administrativos. Não votarão os estudantes dos cursos pagos e MBAs, segundo a Comissão Eleitoral da UFF.

O estudante de geografia da UFF, Alexandre Martinez, afirmou que o alto índice de abstenção dos alunos, às vésperas da eleição, é resultado de uma junção de fatores. Entre eles, o peso diferente que é atribuído ao voto dos estudantes, a correria do dia a dia acadêmico e falta de boas propostas.

“Procuro participar dos debates entre alunos que acontecem, no entanto, é muito blá, blá, blá sem objetividade com promessas sem pé nem cabeça”, disparou Martinez.

As eleições para reitor na UFF ocorrem em um cenário estadual marcado pelas disputas eleitorais 2018. No plano interno à universidade, as eleições se inserem em uma profunda desmoralização e desgaste das instituições do regime universitário.

A gestão de Sidney Mello é apontada pelos estudantes por escancarar uma ligação com burocratas que comandam a universidade de costas para os interesses dos trabalhadores e do povo pobre e de braços abertos para as empresas e os interesses corporativos do mercado. “A gestão Sidney Mello ficou marcada pela truculência e por aprovar o fim da área do Morro do Gragoatá para interesses de um grupo de empresários contrariando decisão do Conselho Universitário (órgão máximo de decisões)”, disse a estudante Maria Olimpia Guerra.

Nenhum dos candidatos tem conseguido reverter o nível de desgaste do regime universitário, e tampouco o profundo processo de desmonte que a UFF vem passando. Ao contrário, até mesmo o candidato que especula-se ser o mais provável a ocupar a cadeira de reitor nos próximos quatro anos, Roberto Salles sofre com rechaço de parte da comunidade universitária e já se fala nos corredores que ele deve ser eleito mais pela ausência de outra figura mais forte. O candidato da chapa 1, Antônio Claudio, é visto como continuidade direta da gestão de Sidney. “Ele tenta esconder em seu próprio programa de gestão essa ligação, mas deve seguir a linha de ajustes e desmonte do atual reitor.

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