Inadimplência no ensino superior particular chega aos 9%

Raquel Morais

Dados do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) apontaram uma alta de 9% no número de inadimplência no ensino superior particular. Em 2015 esse número foi de 8,8% e o aumento em 12 meses pode ser explicado pela crise econômica e política que o país enfrenta. Outra questão que justifica o número de devedores, é a redução dos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que entre 2014 e 2016 caiu 72,6%, de 730 mil para 200 mil.

Segundo nota a pesquisa também apontou que as instituições de pequeno porte (com até 2 mil alunos) são as que menos sofreram com a inadimplência de até 30 dias, mas foram as que registraram maior crescimento na taxa de inadimplência em mensalidades com mais de 90 dias de atraso. Já as instituições de médio porte (de 2 mil a 7 mil alunos) apresentaram as menores taxas para atrasos acima de 90 dias desde o início da pesquisa, em 2006. “As vezes, é a família que banca a mensalidade, e aí se um membro da família perde o emprego, diminui a renda e começa a apertar para pagar a mensalidade”, comentou Rodrigo Capelato que é diretor executivo da Semesp.

Para Diana Reis, Coach de Finanças, essa justificava da crise política e econômica é algo que deveria ser amplamente discutido. “A crise é ciclica, ou seja, não é linear. Não conseguimos enxergar na frente como as coisas vão ficar. Sempre foi assim e sempre será, não tem possibilidade de mudança. Não tendo essa educação financeira o brasileiro acaba gastando muito mais do que poderia, e deveria, gastar. Não temos o hábito de poupar e de investir. E essa crise pegou também a educação e temos jovens de 18 a 24 anos, que estão se formando e não conseguem emprego”, explicou. A especialista ressaltou também que em paralelo existem as pessoas que não conseguem arcar com as mensalidades, os pais que pagam essas despesas e eles estão sofrendo com desemprego e ‘quebrando’ seus negócios.

O economista e consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RJ), Sergio Dias, foi ainda mais além na análise da inadimplência com as instituições particulares. “As entidades de ensino sofrem com a inadimplência e com a evasão de alunos que ou não pagam as mensalidades ou migram para escolas públicas. Consequentemente, as entidades de ensino também se tornam inadimplentes com seus fornecedores, professores e colaboradores. É o efeito cascata dessa crise afetando as cadeias produtivas em todas as áreas da economia”, pontuou.

Segundo informe as projeções do Semesp apontam que em 2017 a inadimplência deverá ficar em torno de 9,2%. Rodrigo Capelato diz que a inadimplência deve começar a cair a partir do segundo semestre do ano que vem, por conta de uma possível recuperação da economia e também pela iniciativa de algumas faculdades de oferecer parcelamento das mensalidades. “Eu tive que trancar a faculdade que estava fazendo de administração para poder trabalhar. Foi algo que fiz muito triste, pois na verdade eu abandonei o curso e estou devendo ainda. Tenho vergonha disso, mas ou eu trabalho para comer e pagar as contas básicas, ou acerto a faculdade. Infelizmente a educação na minha vida não é a prioridade”, lamentou uma vendedora que preferiu não se identificar.

A Universidade Estácio de Sá, Universidade Salgado de Oliveira e Anhanguera foram questionadas sobre o quantitativo de devedores, mas não comentaram o assunto.

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