Imprudência persiste nas rodovias

São necessários apenas cinco minutos às margens da BR-101 para flagrar inúmeras infrações de trânsito. O que todo mundo desconfiava, foi colocado em uma pesquisa inédita no Brasil, divulgada ontem pela Arteris, uma das maiores concessionárias de rodovias do país, e que põe uma luz sob o comportamento de condutores, inclusive na BR-101, rodovia que é administrada pela empresa, através da Autopista Fluminense. Os dados foram apresentados durante o 4º Fórum Arteris de Segurança e revelou que o motorista brasileiro tem como hábito dirigir falando ao celular, mudar de faixa sem ligar a seta indicadora, não utilizar o cinto de segurança, exceder a velocidade da via e não dar a distância mínima de segurança, além de outras infrações que podem causar acidentes graves, colocando em risco a vida de inúmeras pessoas. Durante a pesquisa, foram analisados 82 mil veículos e o comportamento dos condutores foi registrado por sensores fixos em pontos estratégicos da rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, além de monitorado por pesquisadores, que acompanharam, em tempo real, o trajeto de motoristas no trecho avaliado.

“Conhecer a fundo o costume dos usuários tem se revelado cada vez mais importante para desenhar e executar ações mais estratégicas para sensibilizar e provocar mudanças de comportamento no trânsito, reduzindo assim fatalidades”, afirmou o coordenador da pesquisa e gerente de operações da Arteris, Elvis Granzotti.

O uso do celular é uma infração gravíssima e a multa no Brasil pode chegar a quase R$ 300, além de render sete pontos na carteira de habilitação. Contudo, o manuseio do aparelho é uma realidade, sobretudo, nas grandes cidades. Nas rodovias, ainda que de forma mais tímida, o celular continua sendo usado, mesmo gerando um risco de alta periculosidade. No período pesquisado, 1,19% dos motoristas foi visto com celular em mãos no Brasil. Na França, 4,1% dos usuários dirigiam manuseando o celular, e na Espanha, 4,6%.

O taxista José Carlos Cruz, de 71 anos, já presenciou diversos acidentes pautados na imprudência e falta de respeito de alguns condutores. Segundo ele, o uso do telefone celular tornou-se um perigoso hábito do motorista brasileiro e que é causa corriqueira nos acidentes em estradas e rodovias.

“Eu tenho 22 anos dirigindo pelo menos 10 horas por dia, já vi muita coisa e a sensação que eu tenho é a de que a cada dia as pessoas estão mais preocupadas em falar ao telefone e andar acima dos limites de velocidade que esquecem que todos nós somos responsáveis pela segurança de todos ao nosso redor no trânsito”, analisa o profissional.

A pesquisa mostra que 15,9% dos usuários parecem ignorar a distância mínima de segurança entre veículos. O desrespeito aos limites de velocidade chega a 29,6% no país. A infração é classificada entre média e grave no Brasil, pode gerar multa de até R$ 293,47 e levar à suspensão da licença para dirigir. No Brasil, 57,5% dos condutores observados foram flagrados mudando de faixa sem sinalizar.

Usar o cinto de segurança pode reduzir pela metade as chances de ferimentos fatais para condutores e passageiros que trafegam no banco da frente, e em 3/4 para aqueles que viajam no banco de trás. Mas, ainda assim, no país, o dispositivo é ignorado por 1% dos condutores e por 48% dos passageiros no banco traseiro.

O técnico em eletrônica Valter Francisco da Silva, de 22 anos, sabe da importância do dispositivo e, por força deste hábito, a partida do veículo só é dada após o acintamento de todos os passageiros.

“Já virou um hábito, não tenho como ligar o carro com alguém sem apertar o cinto, inclusive a minha filha que vai na cadeirinha”, conta o motorista.

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