Imagens podem identificar quadrilha que roubou jornais

“Até terça-feira (27) à noite ninguém comunicou nada na delegacia. Caso não tenham feito na Polícia Federal, por causa de possível cunho eleitoral do fato, faremos o registro e chamaremos as partes para apuramos o que ocorreu e os envolvidos”, afirmou, ontem (28), o delegado Gláucio Paz, titular da 76ª DP (Centro/Niterói) referindo-se ao incidente da invasão do centro de distribuição de jornais, situado na Rua Professor Heitor Carrilho, por cerca de 30 homens, na madrugada de terça-feira. Na manhã de quarta-feira (28) policiais da distrital estiveram no local à procura de testemunhas. A Polícia Civil informou: “Com base nas informações veiculadas pela imprensa será instaurado um procedimento para apurar o constrangimento sofrido por funcionários de uma empresa distribuidora de jornais, localizada no Centro de Niterói, que, na madrugada da última terça-feira, teriam sido forçados a vender todos os jornais contendo denúncias de corrupção envolvendo o candidato Eduardo Gordo, de São Gonçalo.

O delegado Sérgio Caldas, diretor do 4º Departamento de Polícia de Área (Região dos Lagos, Niterói e São Gonçalo), pede às vítimas que procurem a 76ª DP para prestar mais detalhes sobre o ocorrido. Ontem, imagens de câmera a poucos metros do centro de distribuição foram liberadas e mostram a movimentação de um grupo de mais de 30 pessoas. Policiais acreditam que será possível identificar os autores. O grupo impediu a circulação da edição de dois jornais, que traziam reportagens sobre denúncias contra o candidato a vereador Aristeo Eduardo Teixeira da Silveira, o Eduardo Gordo (coligação Juntos para Vencer). O candidato a vereador de São Gonçalo pelo PMDB nega as acusações. No início da tarde de ontem a Polícia Civil divulgou que pode dar início à investigação, ouvindo testemunhas. Funcionários do centro de distribuição estavam sendo aguardados na tarde de ontem para prestarem esclarecimentos sobre o fato. Por sua vez, advogados de defesa de Eduardo Gordo disseram que ele provará a inocência e que o candidato repudiaria qualquer tentativa de afronta à liberdade de imprensa.

Caso haja comprovação que a ordem para recolher as publicações tenha partido de Gordo, a candidatura poderá ser cassada. Testemunhas afirmaram que na madrugada de terça-feira o grupo teria exigido que os exemplares dos jornais que seguiriam para as bancas de jornais fossem entregues. Até caminhões que já estavam na rua com exemplares dos jornais foram parados pelo grupo suspeito. Nessa edição os dois jornais traziam reportagens relativas às denúncias do Ministério Público Federal (MPF) contra Eduardo Gordo, acusado de fraudes na Saúde, avaliadas em cerca de R$ 35 milhões. Atualmente candidato a vereador, Eduardo já foi presidente da Câmara de São Gonçalo e seu filho, Aristeu Raphael Lima da Silveira, também foi denunciado por ter recebido propina. Em nota, a Associação Nacional de Jornais afirmou que “ações típicas do crime organizado são incompatíveis com a convivência democrática, pois sonegam à sociedade o direito de fazer opções políticas informadas”. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) pediu que as autoridades trabalhem para identificar os responsáveis pela ação.

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