Igreja se deteriora após impasse no Rio do Ouro

Raquel Morais –

Uma igrejinha abandonada há mais de 20 anos chama atenção de quem passa pela Estrada Velha de Maricá, na altura do Rio do Ouro, no trecho de São Gonçalo. A edificação, dedicada à Nossa Senhora das Dores e datada de 1942, está sofrendo com ação natural do tempo. A Arquidiocese de Niterói, que administra as paróquias de 14 municípios, inclusive São Gonçalo, afirma que a igreja não faz parte da sua congregação e revelou um impasse que dificulta uma solução para esse problema.

A igreja não faz parte da Arquidiocese de Niterói por se tratar de uma capela particular, que foi construída por uma família na época em que a região era tomada por fazendas. A família sempre cuidou da igreja, que tinha celebrações de missa, casamentos e até batizados. Porém, com a urbanização e fim das fazendas, a capela foi ‘perdendo o brilho’ e há cerca de 20 anos está fechada e abandonada. Segundo informações de moradores do entorno da igreja, o dono da capela é um senhor com mais de 80 anos que mora em Icaraí, mas a Arquidiocese de Niterói não divulgou o nome dele.

Ainda segundo a Mitra, um impasse impede a recuperação do espaço. De acordo com o padre Ricardo Mota, o senhor quer doar a igreja para administração da Arquidiocese com uma condição: que a Mitra reforme a igreja antes dele passar a doação. A intenção seria fazer da igreja uma capela, respeitando a santa de devoção (Nossa Senhora das Dores), que seria vinculada à Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus. Essa seria a quarta capela da paróquia, que já tem no Engenho do Roçado (São Jorge), Ipiíba (Nossa Senhora da Boa Esperança) e no Morro dos Cabritos (Santa Rita).

O pároco da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, padre Carlos Alberto Mesquita de Andrade, explicou que o dono queria fazer a doação a partir de um contrato de comodato. Esse tipo de negociação é uma forma de empréstimo em que devem ser respeitadas as características do imóvel para que, se for desfeito o contrato, ele seja devolvido assim como foi entregue. “Seria muito bom ter essa capela para a região e é triste ver as ruínas e a ação do tempo depredando o local. Mas precisamos de algo certo passado por documento. Não podemos intervir em nada nessas condições. Só seria de interesse se fosse algo nosso de papel passado e mesmo assim teríamos que fazer um trabalho forte na comunidade para arrecadar fundos para a posterior reforma”, explicou.

Enquanto o imbróglio não é resolvido, as ruínas da pequena igrejinha continuam sendo alvo de lamentações, principalmente dos moradores do bairro. O telhado está parcialmente quebrado, a vegetação está se espalhando no interior da igreja e saindo pelo telhado, a cruz principal quebrou e até o grande sino foi roubado. Além disso, a falta de pintura está ajudando a deteriorar ainda mais a igreja. “Fico triste de ver essa igreja fechada por tantos anos. Tinham muitas celebrações e ela era muito graciosa, pequenininha, mas muito bem cuidada”, contou o vendedor de salgados Manoel de Paula, de 70 anos, que trabalha há anos na frente das ruínas.

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