Idoso cai no ‘golpe do motoboy’ e tem R$ 2 mil de prejuízo

Aproximadamente um ano atrás, no auge da pandemia da Covid-19 no Brasil, a redução da circulação de pessoas nas ruas fez com que reduzissem crimes como roubos e furtos. Em contrapartida, casos de estelionato, especialmente praticados por meio da internet e telefone, explodiram. Uma das práticas mais populares é o “golpe do motoboy”, que causou prejuízo a um idoso, morador da cidade de Niterói.

A prática consiste em uma falsa central de uma instituição bancária telefonar para o cliente, munidos de diversos dados, relatando um suposto caso de clonagem do cartão de crédito. Os falsos funcionários passam orientações desconexas, até convenceram a vítima a quebrar o cartão de crédito. Na sequência, um motoboy é enviado á residência a fim de buscar o suposto cartão clonado.

Na tarde dessa quarta-feira (7), o idoso, que tem 84 anos e é morador do bairro de São Domingos, região Central de Niterói, recebeu uma ligação do tipo. Os golpistas se identificaram como funcionários do Banco Itaú e disseram ter detectado uma compra suspeita, referente a um celular, no valor de R$ 4,9 mil, em um hipermercado. Para dar credibilidade ao golpe, os bandidos se identificaram como da “Central de Fraudes” da instituição bancária.

Caso foi registrado na 76ª DP (Niterói), que vai investigar o caso – Foto: Arquivo/Marcelo Feitosa

Inicialmente, quem estava na linha era uma mulher, que se identificou como “Ana Paula”. A ousadia dos golpistas é tamanha que ela chegou a solicitar as senhas bancárias do idoso, o que foi prontamente recusado pela vítima. Na sequência, ela “transferiu” a ligação para um comparsa. O estelionatário pediu que o idoso quebrasse o cartão e escrevesse uma carta relatando o caso a um suposto delegado, que depois ficou comprovado também não existir.

Por volta de 17h30min, o motoboy esteve no endereço da vítima e retirou o cartão. Cabe ressaltar que, nesse período, os golpistas ainda estavam com o idoso na linha. A polícia acredita que isto era uma artimanha para evitar possíveis ligações reais do banco, quando este detectasse as movimentações estranhas. Contudo, a vítima começou a desconfiar da situação e anotou a placa da motocicleta.

O filho do idoso telefonou para o pai nesse meio tempo e estranhou o relato. Imediatamente, ele buscou informações com a central verdadeira do Bando Itaú, que negou ter feito qualquer ligação relatando eventual clonagem. Foi quando pai e filho descobriram que acabavam de ser vítimas de estelionatários. O banco ainda relatou que os criminosos poderiam ter obtido os dados, por meio de vazamentos. Os bandidos tentaram fazer pelo menos três compras. Duas foram estornadas enquanto outra, no calor de aproximadamente R$ 2 mil, acabou concretizada.

Pai e filho foram, na manhã desta quinta-feira (8), à 76ª DP (Niterói) fazer o registro da ocorrência. Na distrital, por meio da placa da moto, ficou constatado que o veículo está em situação regular e pertence a uma mulher. Policiais Civis da delegacia abriram inquérito para investigar o caso e investigar os responsáveis.

“O Itaú Unibanco informa que já está em contato com o cliente e prestará todo o apoio necessário para a resolução do caso. O banco ressalta que o envio de motoboys para retirada de celulares ou ligações solicitando qualquer documento ou dado do cliente não são práticas do banco, portanto, não devem ser seguidas como orientação. Caso o cliente receba alguma ligação com esse tipo de abordagem ou esteja em dúvida sobre a veracidade do contato, deve desligar imediatamente e, a partir de outro aparelho telefônico, ligar para a central de atendimento ou contatar seu gerente bancário. O banco utiliza todas as ferramentas disponíveis em seus canais de atendimento para orientar os clientes a se protegerem contra golpes e reforça a conscientização por meio de investimentos em campanhas intensivas na mídia, além de disponibilizar um canal no site com dicas para toda a sociedade: www.itau.com.br/seguranca.”

Casos em disparada

Crimes de estelionato sequem em alta, na cidade de Niterói, de acordo com dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP). Nos cinco primeiros meses do ano, foram contabilizadas 1.139 ocorrências do tipo na cidade, contra 752 registros no mesmo período, em 2020. Isto representa alta de 51,5%.

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