Pianista João Carlos Assis Brasil, do Conservatório de Niterói, morre aos 76 anos

Maestro sofreu infarto na sexta-feira (3) e faleceu hoje (6)

A música clássica brasileira está de luto. Um dos maiores pianistas do país, João Carlos Assis Brasil, morreu na segunda-feira (6), aos 76 anos, depois de ter sofrido um infarto na última sexta-feira (3). Nascido na cidade do Rio de Janeiro, ele morava em Niterói desde o final do ano passado, quando passou a ministrar aulas, desde outubro de 2020 no Conservatório de Música, localizado no centro da cidade.

A informação foi publicada pela assessoria do músico nas redes sociais e também pela Escola de Música Villa-Lobos, da qual foi professor durante muitos anos.

“Comunicamos com profunda tristeza o falecimento hoje do nosso querido João Carlos Assis Brasil, em decorrência de um infarto na última sexta-feira. Ele cumpriu sua missão por aqui e agora sua obra se eterniza”, escreveu a assessoria do artista.

“Comunicamos com profunda tristeza o falecimento hoje do nosso querido João Carlos Assis Brasil, em decorrência de um infarto na última sexta-feira. Ele cumpriu sua missão por aqui e agora sua obra se eterniza”, escreveu a assessoria do artista.

Coordenadora do Conservatório de Música de Niterói, Merisa Aldrighi, contou que, apesar do pouco tempo que ele ficou dando aulas no local, o período foi muito rico para os alunos e para os demais profissionais que eram professores de lá.

“Ainda que ele tenha dado aulas no conservatório por pouco tempo, foi um período riquíssimo de aprendizado. Ele foi responsável por levar o estilo de jazz ao piano, oferecendo um repertório além do erudito. E o João Carlos tinha um poder de improvisação incrível, pois podia pegar uma música e fazia uma base em cima daquilo que trazia e realizava diversos movimentos. Poderia ficar horas improvisando e não repetia o movimento. Era um pianista fantástico”, conta Merise.

A coordenadora já conhecia o pianista desde a época da Escola Villa-Lobos e lamenta que Assis Brasil tenha “ficado tão pouco tempo em Niterói”. Ela também faz questão de elogiar o pianista como pessoa.

“O Assis Brasil era uma pessoa muito carinhosa. Ele vivia para a música. Tudo o que ele conversava era sobre o piano, de tanto que ele amava o instrumento. Eu até brincava que ele era um pianista raiz. Ele fez muito pela música e vai fazer uma falta enorme para o Brasil”, lamenta Merise.

De acordo com a coordenadora, ele começou a passar mal na tarde de sexta, estando no conservatório. Imediatamente, ele foi encaminhado para a emergência do Hospital Municipal Carlos Tortelly, no Centro de Niterói. Merise destaca que o atendimento na unidade foi “nota 10”, com os profissionais do hospital avisando a todo momento o conservatório e o empresário do pianista sobre o estado de saúde dele, que não resistiu ao infarto.

Do piano erudito à MPB

Nascido em 28 de agosto de 1945, ele era irmão gêmeo do saxofonista Vitor Assis Brasil, morto em 1980 vítima de uma doença rara. Iniciou a formação no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio, onde estudou piano, harmonia e teoria musical. Aos 10 anos de idade, em 1955, recebeu o 1º Premio do Conservatório. Em 1960, continuou seus estudos com o concertista Jacques Klein. Dois anos depois, venceu o Concurso Nacional de Piano da Bahia. Em 1964, viajou para Paris (França), onde estudou com Pierre Sancan.

Mas não foi apenas na música erudita que o pianista se envolver. Assis Brasil também participou de iniciativas ligadas à música popular brasileira, gravando com artistas como Ney Matogrosso, Zé Renato, Wagner Tiso, entre outros. Em 1988, gravou com Matogrosso, Tiso e participação de Jaques Morelenbaum e Jurim Moreira o disco “A Floresta Amazônica – Villa-Lobos”.

Por todo o seu envolvimento com música, o pianista chegou até a participar de um programa de televisão. Entre 1994 a 1997, ele idealizou e apresentou o programa “Instrumental informal”, transmitido pela TVE, atual TV Brasil.

O trabalho mais recente foi em 2019, quando gravou no Auditório Guerra-Peixe seu álbum “João Carlos Assis Brasil Clássico”, com repertório de obras de compositores como Chopin, Liszt, Debussy, Tchaikovsky, dentre outros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × um =