Hotel arrendado já acolheu mais de mil pessoas em vulnerabilidade

Além do acolhimento, Iniciativa tem por objetivo estimular a autonomia e independência das pessoas

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária (SMASES), desde o início da pandemia do novo coronavírus vem disponibilizando vagas em um hotel na cidade para acolher a população em maior vulnerabilidade social, que está em situação de rua. A iniciativa tem por meta manter a saúde e o acolhimento dessas pessoas e desde abril de 2020 até julho de 2021, aproximadamente 1.150 pessoas já foram acolhidas no local.

O hotel emergencial foi uma eficaz medida de enfrentamento à Covid-19. Desde abril de 2020, a SMASES acolheu mais de mil pessoas em situação de vulnerabilidade. O projeto, que tinha inicialmente o foco de possibilitar que a população em situação de rua de Niterói tivesse acesso às medidas preventivas preconizadas pelas autoridades sanitárias, atualmente, representa mais que uma alternativa para o acolhimento é, também, uma oportunidade de ressignificar as histórias dessas pessoas”, reforça o secretário municipal de Assistência Social e Economia Solidária, Vilde Dorian.

Ainda de acordo com o secretário, esta é uma importante estratégia para a garantia do direito à vida. A hospedagem inclui o acolhimento provisório com garantia de condições de repouso, banho, higiene pessoal e alimentação, além do acompanhamento por equipe de assistentes sociais e psicólogos.

A psicóloga e coordenadora do “Hotel Emergencial”, Marta Oliveira, que atua na área da assistência social há 15 anos, esclarece que após alguns meses de serviço, a medida que amentavam os acolhimentos, foi possível notar que os equipamentos de assistência não conseguiriam absorver toda a demanda.

Esse novo desafio exigiu uma nova etapa de planejamento e execução, que envolveu as redes socioassistenciais e a rede de saúde/saúde mental para nos dar suporte à nova dinâmica de trabalho. O acolhimento se mostrou como uma instituição dinâmica, sensível e responsiva não apenas às necessidades da situação de pandemia”, explica a coordenadora.

Uma pessoa de 39 anos que precisou permanecer no hotel por cerca de 10 meses relata que, em abril, conseguiu uma vaga de trabalho que trouxe as condições para alcançar sua moradia.

“Cheguei aqui [se referindo ao Hotel Emergencial] totalmente desamparado, procurei a Assistência Social e consegui uma vaga no hotel. Durante todo o tempo em que estive aqui, fui motivado a procurar um novo trabalho e me reestruturar. A equipe me ajudou com a questão da minha documentação e também com a oportunidade de trabalho. Só tenho a agradecer a esse trabalho, que me permitiu sair da rua e ter um lugar seguro para ficar durante a pandemia. Hoje, estou trabalhando em uma obra. Além disso, também quero ajudar outras pessoas. Sinto no meu coração que posso fazer algo diferente”, desabafou.

Desde o início da pandemia, a SMASES, em parceria com a equipe do Consultório na Rua, projeto da Fundação Municipal de Saúde, avalia e monitora a saúde das pessoas que estão abrigadas no hotel. Além disso, as equipes têm intensificado as abordagens em todos os bairros da cidade, de forma ininterrupta, priorizando os bairros com maior demanda.

Para ter acesso a uma vaga no hotel, a pessoa precisa passar pela abordagem feita pelas equipes de rua ou por equipe especializada no Centro de Referência a População em Situação de Rua, o Centro Pop. A oferta dos serviços de acolhimento institucional não garante que a população em situação de rua aceite ser acolhida. Conforme determina a legislação brasileira, a secretaria não atua de forma compulsória, mas sim na perspectiva de garantia de direitos, de forma que a adesão aos serviços oferecidos deva se dar de forma voluntária.

A Secretaria de Assistência Social ampliou as vagas em acolhimento com a contratação de hospedagem em hotel, um aumento de 60%. O hotel e centros de acolhimento disponibilizam, juntos, 240 vagas para pessoas em situação de rua. A Secretaria também oferece um programa de recambiamento, em que a pessoa em situação de rua pode retomar o contato com seus familiares e ter a passagem de retorno para sua cidade de origem custeada pela gestão municipal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 3 =