Hospital estadual atende apenas 15% da sua capacidade

Raquel Morais –

Passados meses de uma denúncia sobre a presença de gatos dentro e fora do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (Ietap), no Barreto, a situação parece mais grave. A crise financeira que afeta o Governo do Estado fez médicos da unidade pedirem exoneração e agora o hospital, que é especializado no tratamento de tuberculose e Aids, conta com apenas 12 pacientes internados. Em dezembro passado, os leitos estavam lotados com 80 enfermos, ou seja, oito meses se passaram e a unidade está atendendo apenas 15% de sua capacidade. As informações foram fornecidas por representantes do Sindicato dos trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindisprev).

A técnica em enfermagem Wilca Martins, de 58 anos, faz parte do núcleo sindical e explicou que os gatos continuam dominando dentro e fora da unidade. Os felinos foram flagrados pela reportagem de A TRIBUNA sentados na cadeira de espera, em cima de lixeiras e circulando livremente pela área externa.

A funcionária, que está em greve por conta do atraso dos pagamentos, informou que o infectologista, que cuida dos pacientes com HIV, pediu exoneração e o hospital está sem receber internações. Já o pneumologista, que cuida dos pacientes com tuberculose, não tem como atender àqueles que ficaram sem o auxílio médico. “A direção do hospital não recebe mais nenhum paciente para ser internado. Atualmente tem doze pacientes apenas. A estrutura está precária, não tem CTI para pacientes graves, nem um centro cirúrgico, não contratam mais médicos e nem pagam os salários atrasados”, esbravejou Wilca. Ela ainda salientou que os funcionários da rede receberam apenas R$ 500 em maio e esperam o complemento desse mês, além de junho, julho e o décimo terceiro de 2016.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) esclareceu que a equipe do Ietap é atualmente composta por pneumologistas, clínicos e infectologista, assiste 25 pacientes internados em leitos de enfermaria e ressaltou que não há demanda reprimida para este tipo de atendimento e que todo paciente que for encaminhado ao Instituto será internado, obedecendo a capacidade instalada.

Sobre a presença dos animais, a Secretaria reforçou que os mesmos estão localizados na parte externa da unidade. Foram instaladas telas de proteção nas janelas das enfermarias e funcionários também são instruídos a manterem vigilância nas áreas de acesso. Os animais foram castrados e o processo de adoção está andamento.

Já a Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento (Sefaz) explicou que depende do ingresso de recursos em caixa para efetuar novos pagamentos ao funcionalismo público.

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