Hospital Estadual Alberto Torres é fechado parcialmente

O atraso do repasse da verba da Secretaria de Estado de Saúde (SES) para a organização social Instituto Lagos Rio tem prejudicado diretamente o funcionamento de um das principais unidades de saúde da Região Metropolitana. O Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, está com todos os setores fechados, inclusive o de atendimento exclusivo para coronavírus. Somente a ala vermelha, que é para situações graves, está funcionando, e mesmo assim somente casos gravíssimos estão sendo atendidos. A orientação é que os pacientes busquem atendimento em outras unidades de saúde. A SES promete uma regularização da verba entre hoje e amanhã.

Cerca de mil funcionários terceirizados continuam sem os pagamentos referentes ao mês de maio e isso atinge médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, trabalhadores administrativos e seguranças. Por conta da falta dos salários e até mesmo da passagem os trabalhadores estão faltando o serviço e por conta disso o atendimento está deficiente.

“Eu não vou trabalhar no auge da pandemia do coronavírus, me arriscar ser infeccionado e não receber para isso. Sei que trabalho com pessoas que precisam de cuidados e afetos, mas eu preciso pensar em mim também. Eu não vou voltar a trabalhar enquanto meu salário não for depositado”, desabafou um funcionário que não quis se identificar.

A falta de comprometimento do poder público no tocante acerto dos salários dos funcionários é algo enfrentado há anos por eles. O salário teria que ser pago no quinto dia útil (5 de junho) e ainda não foi depositado. A SES informou que liberou na segunda-feira o repasse de R$ 20,4 milhões para o Heat, para o Hospital João Batista Cáffaro e a UPA São Gonçalo 1 (Colubandê), todos geridos pela organização social Instituto Lagos Rio. Conforme foi noticiado em nota divulgada à imprensa à tarde, “o dinheiro já está sendo liberado e estará na conta da OS entre quarta e quinta-feira desta semana”.

Sobre a falha no atendimento na emergência a SES salientou que se reuniu com representantes da Lagos Rio e de outras OSs, na semana passada, e recebeu delas o compromisso de que manteriam o atendimento normal nas unidades até o próximo dia 15 de julho. Neste período, a SES estaria concluindo as auditorias que está realizando nos contratos de prestação de serviço, para evitar pagamentos irregulares. E todos os pagamentos de contratos regulares seriam efetuados dentro deste prazo, como agora está ocorrendo. Ainda de acordo com a nota, por este motivo, a SES tomará todas as medidas administrativas e legais cabíveis contra instituições que interromperem o atendimento em unidades de saúde da rede estadual, principalmente em unidades de emergência como a do Hospital Alberto Torres, que precisam funcionar plenamente porque atendem pacientes, muitas vezes, em estado grave.

Nas redes sociais as pessoas se lamentaram ao saber que o hospital está parcialmente fechado.

“Um hospital de excelência com profissionais comprometidos na qual tive o prazer de chefiar a sua emergência em 2007. Triste saber o que a politicagem e seus políticos estão fazendo com os profissionais que ali trabalham. Força Heat, a sociedade agora precisa parar de aplaudir e iniciar um panelaço pelos pais de família que tanto lutaram nesta pandemia”, dizia o post emocionado de Deise Luci. O Instituto Lagos Rio, responsável pela administração do hospital, foi questionado sobre o assunto mas não se manifestou até o fechamento dessa edição.

INVESTIGAÇÃO NO MINISTÉRIO PÚBLICO

A Organização Social (OS) foi alvo da Operação Pagão, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), no final de junho onde foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão. Os crimes investigados foram de formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. O objetivo foi prender integrantes da OS acusados de desvio de R$ 9,1 milhões. “O desvio de dinheiro público se dava com o pagamento de valores superfaturados em favor de sociedades empresariais, sob o pretexto da aquisição de produtos ou terceirização de serviços necessários ao atendimento das unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais administrados pelo Instituto Lagos Rio. A ação narra que as contratações de serviços e as aquisições eram direcionadas para empresas pré-selecionadas, controladas ou previamente ajustadas para o esquema”, afirmou o Ministério Público.

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