Hospital em Niterói oferece curso de Libras pensando em atendimento inclusivo

Iniciativa faz parte da reestruturação da unidade pensando na valorização do ser humano e inclusão social

O Brasil celebra neste domingo (26) o Dia Nacional do Surdo. A data existe para mostrar a importância da inclusão social daqueles que não têm audição. E quando se fala sobre incluir quem tem surdez, é necessário falar sobre os obstáculos que essas pessoas enfrentem no cotidiano, inclusive a simples consulta em um médico.

As dificuldades que os surdos enfrentam neste cenário vão desde ouvir o painel da recepção até a descrição dos sintomas e comunicação com o médico. Pensando nisso, o Hospital de Clínicas do Ingá, localizado na Zona Sul de Niterói, acaba de implementar o curso de libras para seus colaboradores como parte do Projeto de Aceleração do Projeto PlaneTree, que coloca o atendimento humanizado em primeiro lugar e a inclusão e responsabilidade social perante seus pacientes.

A iniciativa consiste em apoiar instituições a empregar todo seu potencial na estratégia com pessoas, independente da extensão da estrutura operacional para atingir a excelência, a qualidade e a segurança no cuidado. E apesar de ter sido criada há mais de 40 anos, apenas 23 hospitais no mundo possuem esse certificado.

Para conseguir integrar o projeto Planetree. é necessário que a unidade hospitalar tenha as 10 especificações para a certificação: interação humana; apoio da família,amigos e grupo social; acesso a informações como forma de aumentar a participação dos pacientes; alimentação e nutrição; artes e diversão; ambientes de cura através da arquitetura; terapias complementares; toque humano; espiritualidade – a importância dos Recursos Internos e comunidades saudáveis – como expandir as fronteiras dos serviços de saúde.

“Esse cuidado do HCI com os surdos é de suma importância, pois a libras é o principal recurso de comunicação com eles, do contrário, o atendimento se torna difícil e muitas vezes os surdos, não conseguem os diagnósticos e as orientações necessárias”, comenta a assistente social Suellen Guimarães, pós-Graduada e bilíngue em libras que vai ministrar o curso para os colaboradores.

As equipes serão preparadas durante seis meses com o principal objetivo de aproximar pessoas surdas e ouvintes e conectá-las à sociedade como um todo. Dessa forma, os colaboradores irão aprender o vocabulário e a contextualização em libras obtendo assim total capacidade de interpretar, compreender e reproduzir a língua de sinais.

“Acreditando na inclusão e na adversidade, principalmente dentro das unidades de saúde eu percebo a necessidade de qualificar os colaboradores na Língua Brasileira de Sinais (Libras) para obter uma comunicação eficaz com seus pacientes, familiares e funcionários”, explica Suellen, complementando que as libras representam uma modalidade linguística que visa à interação intercultural entre surdos e ouvintes.

Para o Gestor do HCI Fábio Motta o projeto é mágico.

“Saber que milhares de pessoas estão nesse momento com dificuldade ao se expressar no âmbito hospitalar e que seremos canais nesse auxilio, facilitando e proporcionando um carinho diferenciado no tratamento, tão importante na
vida do ser humano, faz com que a cada dia nós tenhamos muito orgulho em realizar esse projeto de humanização e inclusão”, define Fábio.

Metodologia do curso de Libras do HCI

O curso de libras dentro do Hospital de Clínicas do Ingá será abordado através de uma pedagogia visual, cujo foco está no aprendizado da comunicação humanizada para o paciente e/ou profissional surdo.

Suellen explica que a cada encontro será realizada uma avaliação como forma de proporcionar um feedback aos alunos para que possam expor seus sentimentos e resoluções práticas sobre as atividades propostas.

Entre o extenso conteúdo programático destaque para: apresentação, lei de libras, pronomes pessoais e saudação; alfabeto manual, números e classificador; cores, alimentação e sentimentos; meios de comunicação e redes sociais; profissão, ambientes de trabalho e sinais hospitalares; verbos variados, intensificador e classificador de mãos entre outros temas pertinentes.

  “Ao incluirmos esse quesito dentro do currículo do colaborador, desenvolvemos competências e habilidades dentro de um projeto que evidencia saberes interligados à realidade da comunicação entre surdos e ouvintes na sociedade. Essa organização curricular prima ainda pelo respeito mútuo, quesito indispensável quando se pensa na inclusão social”, finaliza Suellen.

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