Hospital Azevedo Lima mais uma vez na mira de denúncias

Raquel Morais –

Os problemas no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, parecem não ter fim. Depois de denúncias de irregularidades na sala de esterilização, falta de medicamentos e promessa de conserto do tomógrafo, por exemplo, a falta de pagamento de funcionários ainda continua assombrando quem trabalha na unidade de saúde. Uma circular divulgada pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG) – organização civil de direito privado sem fins lucrativos que administra o hospital – denunciou a situação, alegando que em maio o Heal recebeu apenas R$ 7 milhões dos R$ 15,1 milhões devidos pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Funcionários do hospital que não quiseram se identificar confirmaram os atrasos nos pagamentos, desde o 13º salário de outros anos. Além disso, a falta de medicamentos próprios para trabalhar também foi denunciada por técnicos, enfermeiros e médicos. A falha na instalação do tomógrafo, marcada para março, também foi lembrada. “Como um hospital de emergência, público e de referência em Niterói, não tem um tomógrafo decente para atender as pessoas? Trabalho com vida e quem tem dor tem pressa”, esbravejou uma enfermeira.

Em nota, o ISG divulgou que ‘mesmo após toda crise econômica, financeira e institucional instaurada no Rio de Janeiro, com muita dificuldade e graças a uma postura altruísta do ISG, da diretoria e dos colaboradores do Heal, até aqui temos conseguido manter uma boa assistência. O grau de inadimplência da SES com o contrato se tornou vultuoso. Chegamos a um momento crítico, há meses sem receber recursos mínimos necessários ao pagamento de materiais, medicamentos, fornecedores e impostos. Mais uma vez em maio recebemos o valor de repasse bem abaixo do acordado em contrato, o que foi priorizado abastecimento do hospital (materiais e medicamentos) e pagamento mínimo de fornecedores de serviços essenciais, com possibilidade de paralisação dia 21 de maio’. “A situação é gravíssima. Mas, como homem de fé, médico, devotado a cuidar de vidas, à frente do ISG, acredito que juntos poderemos reverter este cenário. Acredito na sensibilidade do Governo do Estado e da SES para cumprimento dos deveres constitucionais”, comentou Angré Guanaes, presidente do ISG.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região, Clóvis Abrahim Cavalcanti, em reuniões com a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e demais entidades médicas, pleiteou um reestudo dos contratos das OSs com o governo, no sentido de que, pelo menos, estas assumissem o compromisso de administrar uma unidade de saúde com uma caução financeira, para que, se o governo falhar, o hospital ou a UPA não interrompam seus atendimentos ou os faça de forma precária. “A crise que em 2016 levou o Governo do Rio de Janeiro a decretar estado de calamidade financeira no Estado, invadiu 2017 e agora 2018 sem sinais de recuperação. Mas o médico que cuida de doente e de doenças, tem suas despesas pessoais, como IPTU, contas de luz, água, gás, material escolar dos filhos, aluguel, condomínio, e demais gastos. E assim, obrigados a recorrer ao cheque especial, ou com o limite do cartão de crédito estourado, os médicos do Estado do Rio de Janeiro esperam por justiça para que este pesadelo humilhante chegue ao fim, não só para a classe médica, mas extensivo a todos os servidores públicos que estão sofrendo com a “imprudência” administrativa do governo do estado”, concluiu.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) não se manifestou sobre o assunto até o fechamento dessa edição.

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