Hospital Antônio Pedro poderá identificar novas variantes do coronavírus

Projeto pioneiro no Estado é uma parceria entre UFF, Fundação Oswaldo Cruz e Prefeitura de Niterói

Uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Prefeitura Municipal de Niterói tem possibilitado a realização de sequenciamentos genômicos no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). A nova técnica, uma das mais eficazes para identificação de novas variantes do coronavírus, permite uma análise mais detalhada de informações genéticas contidas em moléculas de DNA ou RNA de microrganismos, como vírus e bactérias.

Colaborador da iniciativa e chefe do Laboratório de Biologia Computacional e Sistemas da Fundação Oswaldo Cruz, Alberto Dávila destaca que a contribuição da instituição nesta parceria, além de trazer diagnósticos mais específicos para o Hospital Antônio Pedro, possibilita a apresentação de técnicas de alta complexidade para jovens estudantes de diferentes áreas da saúde da UFF.

“Não é apenas uma transferência de tecnologia e experiência de sequenciamento genômico [de uma instituição para outra], mas também a formação de massa crítica, especialmente num hospital público com a dinâmica e infraestrutura do HUAP, onde tem um fluxo grande de estudantes”, afirmou Alberto.

A tecnologia usada para sequenciar genomas é o aparelho portátil MinION. “A vantagem dessa tecnologia é a portabilidade. Além de ser pequeno, é um sequenciador relativamente barato. Ele cabe em qualquer laboratório, precisando apenas dele e de um computador que receba os dados sequenciados”, explica o chefe do Laboratório de Biologia Computacional da Fiocruz.

Nova tecnologia

Em um período em que o sequenciamento genômico tem sido um método bastante utilizado devido a pandemia do coronavírus, a nova parceria possibilita também a atuação do Huap na identificação e monitoramento de variantes da covid-19.

“Neste momento da pandemia, o que nos deixa muito animados é saber que nós temos agora ferramentas que nos permitem ajudar a traçar inicialmente um mapa no Hospital, em Niterói, e contribuir para uma ação nacional. A identificação de variantes do novo coronavírus pode nos ajudar a traçar estratégias de saúde pública”, destacou o coordenador da Unidade de Pesquisa Clínica do Huap, Gutemberg Alves.

O reitor da UFF, Antônio Cláudio Nóbrega, esclarece que  esse é um projeto que vem sendo organizado já há algum tempo pela UFF, dentro de seu objetivo em buscar parcerias para transferência de tecnologia e conhecimento científico que traga benefícios para as pessoas na área da saúde.

“Nesse projeto, a UFF está implementando uma tecnologia inédita no Estado do Rio e ainda muito rara no restante do país”, destaca o reitor.

Antônio Cláudio lembra que essa tecnologia já está em operação no Hospital Antônio Pedro e tem ajudado a detectar o nível de resistência bacteriana e viral para que a decisão de tratamento dos pacientes seja mais adequada e precisa, qualificando, portanto, o atendimento da população.

Já o professor Fábio Aguiar, coordenador do Grupo de Trabalho BioSaúde da UFF e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, a parceria proporciona um formato ágil na vigilância de doenças.

“A montagem do centro de genômica aqui na Unidade de Pesquisa Clínica do Hospital Universitário Antônio Pedro tem o objetivo de ter um setor de diagnóstico genômico inserido na beira do leito, dentro do ambiente hospitalar, para que façamos o acompanhamento das diferentes infecções, sejam elas causadas por vírus ou bactérias”, afirma Fábio.

O coordenador do grupo de trabalho explica que o objetivo do sequenciamento genômico é permitir que os pesquisadores consigam detectar variantes do vírus. “Primeiramente é feita a extração do material genético do vírus e posteriormente detectamos as sequências do ácido nucleico desse material coletado. Com isso, conseguimos verificar quais as variantes que estão circulando e podemos fazer uma vigilância contínua da atuação de todos os vírus nas diferentes regiões.”

A pesquisadora da UFF, Luciene Soares, esclarece que o sequenciamento também é importante para monitorar o avanço da pandemia e identificar as variantes do coronavírus que estão circulando na comunidade da UFF (professores, alunos corpo técnico).

“O Brasil ainda faz pouco sequenciamento de SARS-CoV-2. Esta iniciantiva da UFF irá formar pesquisadores especializados em sequenciamento, o que é fundamental para resposta rápida diante de uma pandemia como esta que estamos enfrentando. O surgimento de diversos vírus emergentes nos últimos tempos, mostrou a necessidade de estarmos preparados, com pesquisadores especializados formados pela UFF. O laboratório de virologia molecular está contribuindo para o controle da pandemia com teste, diagnóstico e identificação do  genoma viral,  além de ser uma ferramenta de suma importância para complementação da nossa linha de pesquisa na testagem de protótipos antivirais bioativos”, explica a pesquisadora.

Com a técnica de sequenciamento genômico, o Hospital Antônio Pedro poderá apresentar respostas imediatas sobre os casos positivos do coronavírus, com resultados sendo entregues com menos de 24h à população. Além disso, também será possível coletar amostras para fazer o sequenciamento genético e identificar quais variantes encontram-se circulando no momento.

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