Hospital abandonado vira abrigo para moradores de rua

Raquel Morais –

Não é de hoje que o antigo Hospital Santa Maria, no Laranjal, em São Gonçalo, está fechado e nem de longe lembra os áureos tempos de funcionamento. Mas, além da inatividade, outro problema é ainda mais grave: o abandono do prédio. O local é usado por moradores de rua e usuários de drogas há mais de seis anos e parece que a Prefeitura de São Gonçalo não se incomoda com a situação. Mesmo sendo um imóvel particular, o poder público tem, ou deveria ter, responsabilidade, já que o consumo de drogas é indiscriminado e gonçalenses reclamam do perigo que é passar pelo local, principalmente à noite.

Na parte externa da unidade, a fachada da antiga maternidade, que atendia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), está completamente depredada. Muitas pichações marcam a antiga entrada da unidade, o letreiro está literalmente caindo aos pedaços e os vidros das janelas estão quebrados. Segundo informações, três pessoas moram no prédio abandonado, sendo que eles dividiram a edificação em duas partes: um senhor mora na parte da frente e um casal mora nos fundos. A organização é tanta que até as entradas são independentes e cada família tem seu portão.
O hospital fica no alto da Avenida Júlio Lima e ocupa quase um quarteirão, tendo como vizinhos apenas uma igreja e poucas residências.

“Eu nasci no Laranjal e conheço muita gente que nasceu nessa maternidade. Acho uma pena um hospital estar fechado e abandonado desse jeito. São tantas salas abandonadas e vários andares, subsolo e até mesmo um necrotério. Toda a estrutura está montada e acho que seria muito mais fácil reativar esse prédio do que construir um novo”, opinou o lavador de carros Uellington Freitas, de 32 anos.

Há alguns anos a administração municipal mostrou interesse em gerir o espaço, mas na época um problema judicial impediu esse procedimento. Não se sabe quem são os donos do hospital, que era particular quando funcionava, mas o problema em questão é familiar: partilha de bens. Em 2016 a prefeitura confirmou o impasse, mas a nova gestão não reafirmou o interesse. Segundo nota da administração municipal, trata-se de um terreno particular, bem como a unidade que funcionava, portanto, é de responsabilidade do proprietário manter o local conservado.

“A Prefeitura não tem nenhum vínculo com o espaço. A Subsecretaria de Fiscalização de Posturas irá notificar o proprietário, que pode ser multado. Uma equipe também irá ao local para atender os usuários de drogas”, disse, em nota.

O comandante do 7º Batalhão de Polícia Militar (São Gonçalo), Ronaldo Martins, também se solidarizou com a causa e disse que irá reforçar o patrulhamento na região nos próximos dias.

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