Hora de pensar racionalmente sobre consumo da água

Wellington Serrano –

Após a grave crise hídrica que assolou o estado entre 2013 a 2015, a situação dos reservatórios que abastecem boa parte da Região Metropolitana do Rio melhorou, embora ainda os níveis ainda sejam preocupantes, como diz o membro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Luiz Roberto Barretti.

Segundo ele, os maiores reservatórios que garantem o volume para captação no Estado estão todos em São Paulo, entre eles o Paraibuna que representa 68% do volume equivalente e que garante a água para o Sistema Guandu. De acordo com boletim da Agência Nacional de Água (ANA) a soma de todos os reservatórios está em 41,4%.

“Esse mês, a média do reservatório Paraibuna está com está em parcos 38% do volume útil. Só para ter uma ideia, na conta que fizemos ao se comparar ao mesmo período do ano passado, o volume útil estava em quase 67%, ou seja, estamos declinando”, disse Barretti.

O estado do Rio de Janeiro é abastecido, principalmente, por quatro reservatórios que estão com níveis baixíssimos de água, mas que já tiveram em situação pior no índice de 2014. Três ficam em São Paulo; além do Paraibuna, o de Santa Branca, que está com apenas 0,65% do volume útil, e o de Jaguari, com 1,94%, e o de Funil, em Santa Cecília, em Barra do Piraí, no sul fluminense, com 4,15%, onde é feita a transposição ao Guandu.
Apesar dos níveis críticos Barretti disse que os gestores aprenderam a conseguir fazer a diminuição do volume de vazão da transposição do Rio Guandu. “A barragem de Santa Cecília que antes recebia 190 metros cúbicos por segundo (m³/s) de água passou a receber 119 m³/s, o que melhorou bastante”, afirmou.

Com o cenário nada bom na região Sudeste, os reservatórios ainda estão longe do nível ideal. Segundo informações da Secretaria de Estado do Ambiente, na data de ontem, por exemplo, o reservatório equivalente do Paraíba do Sul apresentava o valor de 40,36%, enquanto que na mesma data de 2017 era 56,49%. O estado afirma que no tocante aos sistemas abastecidos por reservatórios de acumulação de água, como é o caso dos sistemas interligados Guandu-Lajes-Acari e Prolagos-Águas de Juturnaíba, as simulações não indicam risco de desabastecimento para o ano de 2018.

Segundo o especialista, faltam investimentos no combate ao desperdício de água tratada e em saneamento básico, já que o esgoto em excesso dificulta o tratamento da água. “Por isso São Paulo está pior que o Rio de Janeiro, por não possuir outras fontes. Os paulistas vão ter que fazer gestão para recuperar as Bacias de Piracicaba e o Auto Tiete, que resolveriam os problemas, mas que seguem poluídas”, ressaltou.
Ele disse que as áreas de bacia também devem ser alvo de projetos de reflorestamento. “A cobertura vegetal é determinante para a preservação das nascentes. Temos que economizar água, porque ainda precisamos melhorar. Depende da natureza a maior parte, e de nós a economia em nossas casas, e também na atividade produtiva, para termos água no futuro”, disse Barreti.

Em Niterói, o abastecimento é feito pelo sistema Imunana-Laranjal, operado pela empresa Cedae e repassado para a cidade pela Águas de Niterói. Através do canal de Imunana, o sistema bombeia a água bruta captada no Rio Macacu – que, por sua vez, recebe águas do afluente Guapiaçu – até a Estação de Tratamento de Água Laranjal, em São Gonçalo. Do volume total de água tratada pela ETA Laranjal, 2.100 litros por segundo são destinados para o município de Niterói.

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