‘Hoje é um dia muito difícil’, diz mãe de Ana Clara, sete meses após perder a filha

Nesta quinta-feira (2), completaram sete meses desde a trágica morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, baleada durante ação policial na Estrada do Monan Pequeno, Região de Pendotiba, em São Gonçalo. Para manter a chama acessa por justiça, familiares e amigos realizarão um ato em homenagem á pequena, na Rotatória do Monan, próximo ao local onde ela morava e, em 2 de fevereiro deste ano, acabou perdendo a vida.

Será feita uma corrente de oração e, em seguida, acendida uma vela em homenagem á Ana. De acordo com os organizadores, o objetivo é não deixar o caso cair no esquecimento. O dia 2 de cada mês é difícil, em especial, para Cristiane Gomes, mãe da menina. Cada mês que passa sem a filha é mais difícil e, ao mesmo tempo, volta à mente todo o desespero vivido. Ela também lamenta não ter recebido a devida atenção do Estado.

“Hoje é um dia em que acordo e passa um filme que passa na mente. Eu lembro dela todo s os dias, mas hoje é um dia muito difícil. Hoje eu lembro de tudo que a gente passou, do dia em que ela foi morta, aí vem tudo á mente. A hora, aquele desespero todo. Acredito que o policial vá a júri pela Ana Clara. “O que eu sei é que ele ainda está preso, mas espero que ele seja condenado e pague pelo que fez. Não tive resposta nenhuma do Estado, nunca me procuraram nem para dar os pêsames”, afirmou.

Ana Clara morreu após ser baleada em 2 de fevereiro deste ano – Foto: Arquivo pessoal

Mas os principais momentos que Cristiane possui guardados com sua filha ainda são os mais doces. A mãe lembra o quando Ana Clara era uma menina animada, que gostava de brincar e era carinhosa com a mãe e o irmão. Para Cristiane, o evento mais marcante aconteceu horas antes do crime, em que as duas foram a uma padaria, de manhã bem cedo, tomar um café da manhã juntas. Para a mãe, aquele foi o momento de despedida.

“Quem teve o privilégio de conhecer a Ana sabia a criança que ela era. Não tinha tempo ruim para ela. Tudo ela ria, achava graça, adorava praia, piscina. Era muito carinhosa, colada com o irmão. Era uma criança que brincava muito. No dia em que ela morreu, a gente acordou cedo, umas 5h, fomos na padaria, tomamos café, só nós duas, depois ela voltou a dormir e eu fui para o meu quarto”, recordou emocionada.

Por fim, a mãe recorda daquela que seria a festa de seis anos de sua filha, em abril deste ano, mas que não houve tempo para acontecer. Cristiane lembra que a filha pedia muito que a comemoração fosse temática de bonecas. A mãe afirma que se apega a antigos brinquedos da filha para sentir a presença da menina. Ela ainda diz ter a certeza que, de outro plano, Ana Clara está olhando pela mãe.

“Ela me pediu muito uma festinha para o aniversário dela, que seria em abril. Ela queria o aniversário da LOL. Eu dizia que se tivesse dinheiro iria fazer. Ela queria muito, mas não deu tempo. Eu já tinha visto o bolo. Não sei se ia ter a festa, mas iria fazer uma coisinha para ela. Eu acredito que ela está num lugar melhor e, de onde ela esteja, está olhando por mim. Aqui em casa tem um ursinho, que ela andava para cima e para baixo, e tenho a boneca como se fosse ela”, completou.

Audiência

Em 30 de junho, foi realizada a segunda e última audiência de instrução do processo que apura a morte da menina Ana Clara. O policial militar Bruno Dias Delaroli, apontado como autor do disparo que vitimou a menina, prestou depoimento. À época, a defesa dele confirmou que houve indeferimento do pedido de liberdade proposto pelos advogados. Ainda não foi definido se o agente será levado a julgamento.

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