Histórico de veículos usados poderá ser obrigatório na venda

Raquel Morais –

Está tramitando na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto de lei que, se aprovado, irá obrigar concessionárias e revendedores de automóveis a oferecerem histórico dos veículos usados. No ato da compra, o documento terá que ser mostrado para o cliente, para que ele fique ciente da procedência total do bem comprado. A consulta mostrará se o carro foi recuperado de roubo e furto, se foi adquirido por leilão e até mesmo a quantidade de proprietários. Empresários niteroienses aprovaram a medida da obrigatoriedade, mas informaram que essa já é uma atitude padrão para as negociações.

Comumente, o cliente realiza consultas apenas de infrações e débitos de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), através do site do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ). Com essa normativa, proposta pelo deputado Chiquinho da Mangueira (PTN) através do projeto de lei 1.848/2016, outras consultas terão que ser feitas pela empresa e fornecidas ao cliente. Registro de sinistro, alienação, registro de leilão, histórico de roubo e furto, quantidade de proprietários e registro de recall são algumas dessas inspeções mais minuciosas.

Na Jussara Automóveis, no Centro de Niterói, o diretor Thales de Carvalho Santos explicou a importância dessas consultas. “Existem várias empresas que fazem esse tipo de checagem e fazemos a nossa verificação padrão, que é sobre a qualidade com conferência de quase 100 itens. As consultas não são gratuitas, mas necessárias para sabermos a real procedência do veículo. Às vezes, comprar um carro de uma pessoa particular, a pessoa pode arrumar uma dor de cabeça. Tem muita gente que compra carros de leilões, remontam esses carros com peças de ‘ferros-velhos’ e revendem esses veículos todos adulterados. Por isso é importante checar placa, Renavam e chassi dos veículos”, comentou.

Segundo a Alerj, se aprovada a lei, o histórico deverá conter nome dos proprietários anteriores, se o veículo já sofreu sinistro ou já foi leiloado e a quilometragem original. As empresas terão o prazo de 90 dias para se adaptarem à norma. Em caso de descumprimento, o infrator poderá arcar com multa de mil UFIRs-RJ, cerca de R$ 3 mil. “A venda de veículos de seguradoras, salvados e de leilão, muitas vezes não é informada pelo vendedor, gerando prejuízo futuro ao comprador, que no ato da revenda terá o seu bem ainda mais depreciado”, justificou Chiquinho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *