Historiadores querem revitalizar casa que hospedou Princesa Isabel

Wellington Serrano –

O casarão que hospedou a Princesa Isabel em 12 de junho de 1868 está ameaçado de ser demolido e virar ruína. Único exemplar da arquitetura rural do século XIX ainda existente no Distrito de Boa Esperança, em Rio Bonito, a casa que fica às margens da Via Lagos, principal via de acesso aos municípios da Região dos Lagos, está em péssimo estado de conservação e será palco de um abraço simbólico que ocorrerá amanhã a partir das 8h30min. O evento está sendo organizado por historiadores da cidade, que pretendem chamar a atenção das autoridades para a importância de preservar o imóvel e transformá-lo num centro de estudos e pesquisas da história do mais importante distrito de Rio Bonito e palco da cultura cafeeira do século XIX.

O objetivo é reunir técnicos do município, do Estado e do Ministério da Cultura para criar um projeto de revitalização do casarão, inclusive com a participação da iniciativa privada. “A própria CCR, que administra a Via Lagos poderá incentivar essa preservação. O certo é que com o seu desaparecimento, caso ocorra, morrerá parte importante da história do Estado do Rio no século XIX”, afirma Dawson.

Histórico do Casarão
Antiga Casa que pertenceu a Alexandre Pereira dos Santos, homem que hospedou a Princesa Isabel e seu esposo em Boa Esperança no ano de 1868. Localizada na Praça B. Lopes, em Boa Esperança, 2º Distrito de Rio Bonito, esta casa é o único prédio remanescente do antigo conjunto arquitetônico que formavam a vila de Boa Esperança no século XIX. Este belo exemplar da arquitetura rural do império representa o período áureo do ciclo cafeeiro da região, mas corre o risco de desaparecer a qualquer momento, pelo estado de instabilidade estrutural, resultado dos abalos constantes causados pelo intenso tráfego da RJ-124 (ViaLagos) e dos ônibus e caminhões que diariamente transitam no entorno do prédio.

A casa é uma construção de um pavimento, de planta retangular sobre porão não habitável, duas casas anexas, com acesso pelas laterais e fundos; fachada frontal de seis vãos de janelas; nas laterais, quatro janelas e quatro portas de cor “azul colonial” desgastadas pelo tempo; e paredes caiadas de branco.

Ela também conta com alvenaria de tijolo maciço e pedra; com cunhais nos quatro cantos da casa; cimalha de madeira sob a cobertura de quatro águas em telhas canal, feita nas cochas de escravos; calçada no entorno da edificação, feitas de pedras em pé-moleque; piso assoalhado de madeira de lei; e forro de madeira em “saia e camisa”, que em alguns cômodos já não existem.

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