Historiador lança livro que conta a história de Cabo Frio

Quando se fala em História do Brasil, é comum o foco ser maior na cidade do Rio de Janeiro pelo fato do local ter sido capital do país por quase 200 anos, desde 1763 a 1960, além de ter protagonizado outros momentos importantes, como ter abrigado a Corte Portuguesa de 1808 a 1821. Mas uma obra apresenta Cabo Frio, na Região dos Lagos, como um município também de elevada importância nacional. Essa é a abordagem do livro, “Roteiro Ambiental e Patrimonial da Cidade de Cabo Frio”, do historiador cabofriense Acioli Júnior, e que será lançado neste sábado (4).

A obra é fruto de um trabalho de pesquisa documental e empírica que se iniciou em 2015 e terminou em março deste ano. O livro aborda a história de todos os bens culturais do município de Cabo Frio, do Forte São Mateus às três Estações Ferroviárias, além de outros 14 monumentos tombados e o patrimônio intangível da cidade. Mas o foco não se restringe apenas à arquitetura histórica.

Com mais de 500 páginas, a obra também descreve as 20 praias do município com riqueza de detalhes, cinco delas secretas (Fenda, Fofa, Mimi, Amendoeiras e Nordeste). Disserta ainda sobre os três rios de Cabo Frio (Una, Gargoá e São João) e ressalta sua importância para os povos pré-históricos e a população atual. Aborda também 12 ilhas, sendo 10 oceânicas, mais a Ilha Coroa da Barra (Japonês) localizada no Canal do Itajuru, e a Ilha das Cabras, aterrada para virar salina e hoje é um terreno baldio. O autor ainda aponta os melhores locais de mergulho e pesca submarina de cada ilha oceânica, indicando se é adequada a mergulhadores profissionais ou a iniciantes.

O historiador Acioli Júnior é o autor do livro. Foto: Acervo pessoal

Acioly explica que o município também participou de momentos importantes da história brasileira pelo fato de Cabo Frio ser a quinta cidade mais antiga do Brasil, tendo sido elevada à essa condição em 1615 pelo rei espanhol Felipe III (Felipe II de Portugal), no período da União Ibérica, que durou de 1580 a 1640. Mas, muito antes da sua elevação à condição de cidade, a região de Cabo Frio já era conhecida dos colonizadores portugueses, desde 1501, para ser mais exato. Nessa época, o navegador Gonçalo Coelho passou nessa região e a batizou de “Cabo Frio” ou Cabo Frigido”, por conta do fenômeno marítimo da Ressurgência, também conhecido como Afloramento.

E o escritor também fala que a cidade tem passagem importante não apenas nos acontecimentos históricos do país como também da América do Sul.

“O acontecimento histórico mais importante na região do antigo Cabo Frio foi a cidade ser o local onde ficou a primeira Feitoria da América de 1503 a 1512, onde o navegador Américo Vespúcio, que dá nome ao continente americano, instalou esse entreposto comercial e militar, o que faz da cidade ser o polo colonizador do Brasil, pois foi aqui o primeiro lugar onde os colonizadores, de fato, pararam e permaneceram por anos, no início do processo de colonização da América Portuguesa”, explica.

Leitura obrigatória

Uma curiosidade sobre “Roteiro Ambiental e Patrimonial da Cidade de Cabo Frio” é que o livro está como leitura obrigatória para o concurso público da Prefeitura Municipal de Cabo Frio, previsto para setembro deste ano. A prova vai ter sobre História de Cabo Frio nas provas para todos os cargos.

O historiador falou que criou um módulo de aulas online com foco nas provas e ainda preparou um apêndice com mais de 100 perguntas comentadas no livro com o propósito de ajudar os candidatos. Além disso, Acioly espera que outros municípios adotem uma iniciativa semelhante.

Foto: Divulgação

“Foi a partir dessa exigência que preparei aulas online gratuitas através do Facebook e do YouTube, além de colocar 103 questões comentadas como apêndice no meu livro para ajudar os concurseiros a conseguirem a tão sonhada vaga no serviço público e conquistarem uma vida estabilizada. Espero que outras cidades sigam o exemplo e façam a mesma exigência, assim a História local será muitíssimo valorizada”, comentou.

O professor explica que fica feliz ao ver que a História é valorizada nesse tipo de prova. E ele também afirma que, em tempos onde a disciplina é tão criticada e desvalorizada, é necessária reconhece-la como ferramenta na formação do pensamento crítico.

“A História é uma disciplina importantíssima na formação cultural do indivíduo e em sua formação cidadã, além, é claro, de que ela fomenta a criticidade, a capacidade da pessoa pensar por si mesmo e ser um sujeito autônomo. Eu sempre digo que ‘a vida sem História é como um livro escrito com tinta incolor’. Aqueles que querem impedir ou privar os alunos do conhecimento histórico querem um povo subjugado, acrítico e incapaz de uma reflexão crítica e autônoma da sociedade’, afirma.

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