História: Inaugurada a Ponte não havia ruas para a circulação dos carros

Quando construíram a Ponte Rio-Niterói cuidaram apenas de projetar três saídas para jogar o tráfego aqui do outro lado da Baía: uma para a estreita Alameda São Boaventura; outra para a Avenida do Contorno e a terceira para Avenida Jansen de Mello e sua continuidade, a estreita Rua Marquês do Paraná.

A TRIBUNA, em seguidos editoriais e reportagens, desde o início oficial das obras da Ponte (janeiro de 1968), criticou a falta de planejamento e advertiu para o fato de sua inauguração abrir o mercado para a expansão da Região Oceânica e por uma maior procura pela Região dos Lagos.
Paralelamente, lembrava a necessidade de Niterói se preparar para comemorar seu IV Centenário em 22 de novembro de 1973. E foi além, compilando sugestões anteriores, na ampla reportagem “55 soluções urbanas”. Entre elas, o alargamento da Rua Marquês do Paraná e a construção de um novo túnel para Icaraí e a duplicação das pistas da Praia de São Francisco.

E foram estas as obras prioritárias da curta gestão do engenheiro Ronaldo Arthur da Costa Fabrício, definidas diante de uma foto aérea de Niterói, destaque na sala de direção do jornal A TRIBUNA. Ele discutiu todas as sugestões do diretor do jornal e lembrou ter sido aconselhado a conversar com ele antes de assumir o cargo de prefeito para o qual foi nomeado em decorrência da fusão GB-RJ.

A sua investidura foi a 15 de março de 1975, quando a Ponte, inaugurada 4 de março de 1974, já estava entregue ao tráfego e cessou o tráfego das barcaças que transportavam os veículos automotores para a travessia da Baía de Guanabara.

No primeiro fim de semana após a inauguração confirmou-se a previsão de A TRIBUNA: o tráfego na cidade ficou literalmente “entalado”, sem saída e com muitos veículos abandonados por horas sobre as calçadas, no maior engarrafamento já visto.

Ao assumir, no ano seguinte, com seu dinamismo e por administração direta, Ronado Fabricio – agora com 86 anos de idade – iniciou a duplicação da Marquês do Paraná, inclusive avançando sobre prédios históricos como o Corpo de Bombeiros e a Estação de Bondes da Cantareira, além de demolir uma ala de apartamentos de edifício na esquina da Avenida Amaral Peixoto.
Os saudosistas deploraram demolições de sequência de sobrados de estilo europeu, nas proximidades do Rio Cricket.

A abertura da Estrada da Cachoeira
Antes da obra da Marquês do Paraná, outra foi relevante para a caminhada no rumo da Região Oceânica: a urbanização do caminho então chamado de “Estrada da Cachoeira”, fruto da operosidade e do idealismo do jovem engenheiro do DER, Carlos Álvaro Quintela. Ele deslumbrou a sugestão de A TRIBUNA e, num telefonema para a redação, disse: “Descobri que este caminho faz plano de uma futura RJ-5. Assim sendo, posso tocar a obra. Arranjou um helicóptero, percorreu o caminho e montou um canteiro de obras próximo ao Largo da Batalha. E, debatendo o projeto como jornalista, decidiu alI implantar o sistema de “parada recuada” para os ônibus e preservar a fonte usada pelas lavadeiras que alI operavam. A obra foi inaugurada em 1973, quando o governador da época prometia fazer a sonhada Estrada Litorânea Niterói-Cabo Frio, aproveitando o leito da antiga Estrada de Ferro Maricá.

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