História de Lilith, primeira mulher do universo, é contada em uma peça online

Uma história inspirada na mitologia da primeira mulher do universo, Lilith, virou espetáculo online. “Coruja, Borboleta, Búfalo, Serpente ou depende…” está sendo exibida de forma online e gratuita pelo canal do Sesc Rio no Youtube. Lilith teria sido criada junto com Adão e por tentar impor seu pensamento e querer igualar-se ao homem, foi expulsa do Paraíso por Deus e acabou encontrando abrigo junto aos demônios no mundo inferior.

Baseado no texto de Camila Diehl, a KarmaCírculus Teatro posiciona a figura de Lilith dentro da arte afro-brasileira, conectando o mito à figura de Iansã, através da interpretação da atriz negra e poetisa slammer do grupo Slam das Minas do Rio de Janeiro – Gênesis.

“A peça retrata toda insubmissão dessa mulher, que não abaixou a cabeça nem mesmo para o criador e que construiu sozinha toda potência que ela é. Todo processo de construção foi um desafio, primeiro porque foi feito todo online e segundo pela densidade da própria personagem, que exige uma disposição física e mental muito grande”, explica a atriz. O espetáculo ainda tem no elenco a participação especial de Blue Oliveira.

Lilith traz à cena a assustadora inocência de seus instintos. O público verá fúria, revolta, medos e desejos. O grito da mulher preta, de quem sempre precisou falar, mas sempre foi impedida. A protagonista ainda conta que a peça retrata não só o poder de destruição de Lilith, mas também suas vulnerabilidades, sua sagacidade e a força com que ela transformou sua ‘desgraça’ em poder feminino. Envolta por aromas afrodisíacos e pela neblina, a personagem seduz o espectador, convidando-o a mergulhar na sua essência de belezas e ruínas.

O diretor Átila Bee, que não imaginava a estreia online, conta como foi o processo de direção do espetáculo: “Nosso terceiro espetáculo nasce nesse formato em outubro de 2020, assumindo esse lugar de primeiro experimento/ensaio aberto, porque, de fato, era o que podíamos fazer naquele momento. Agora, mais seguro desse novo ambiente de trabalho, já encaro com prazer esse novo processo de direção, que inclusive me traz possibilidades para além do espetáculo. Como, por exemplo, um documentário a partir dele, performances, cenas curtas. Eu estou adorando, mas também desejando nossa chegada aos palcos”, disse.

Átila destaca que ter outros artistas contribuindo com esse espetáculo foi maravilhoso. “Hilton Cobra trouxe uma supervisão artística brilhante. Valéria Monã fez nascer todos os bichos que nossas atrizes precisavam parir. Agora, desejo mais parcerias para a KarmaCírculus Teatro”, comemora Atila.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.