Heroínas da vida real: sensibilidade que dá força para salvar vidas

Raquel Morais

Fragilidade, choro e frescura. Se em outras décadas esses adjetivos caracterizavam as mulheres, a contemporaneidade fez jogar por terra todo esse esteriótipo. Em época de pandemia do coronavírus, elas fazem um verdadeiro show. Lideram pesquisas, comandam equipes e estão na linha de frente nesse combate ao vírus que mobiliza todo o mundo. Nesta segunda-feira, 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher e A TRIBUNA reuniu histórias de algumas que são verdadeiros exemplos.

A farmacêutica Alessandra Bastos Soares, moradora de Niterói, trabalhou na Anvisa até dezembro passado e participou de todo o processo de análise e liberação das vacinas contra a Covid-19. A especialista assumiu o cargo de diretora da Anvisa e ela conta com orgulha que foi a segunda mulher, em 21 anos, a ocupar este cargo.

“O resultado de nosso trabalho mostrou que, sim, nós fazemos a diferença. Estar à frente de decisões tão complexas e impactantes para todos os cidadãos de nosso país trouxe a responsabilidade de utilizar minhas habilidades e competências para agir com rapidez, coerência e robustez em tempos muito difíceis. Hoje, ao assistir o programa de vacinação contra a Covid-19 acontecendo em nossa Niterói, em todo o Brasil, sinto muito mais que alegria. Tenho no peito alento, esperança e o sentimento de dever cumprido. Ainda que poucos reconheçam quem somos, sei que fiz o que precisava ser feito, e essa sensação é o maior prêmio que poderia receber em toda minha vida!”, celebra a moradora de Icaraí.

A farmacêutica do Instituto Vital Brazil, Antônia Cavalcanti, trabalha há 26 anos no instituto e atualmente é responsável pelo setor de Controle de Qualidade.

“Estar à frente de uma área tão estratégica e importante para um laboratório industrial centenário, com a história tão linda, que apaixona a todos que a conhecem, me enche de orgulho. Pensar no meu trajeto, como mulher, estar neste lugar, dobra o sentimento. Hoje, com a pesquisa do soro anticovid, a linha de atuação de nossa empresa se torna uma esperança para o país. O soro representa uma alternativa de tratamento para essa doença tão avassaladora contra a qual o mundo luta. Fazer parte da luta dessa equipe que possui tantas mulheres à frente, representa para mim uma honra e a sensação de que nós, como mulheres, estamos no caminho certo, apesar de ainda ter uma longa estrada a percorrermos pela frente para alcançar a igualdade de gênero que tanto almejamos”, conta a cientista.

A médica Mariana Saraça, 34 anos, está na linha de frente do combate à doença em vários hospitais que trabalha e deseja que as profissionais de saúde tenham muita energia para o enfrentamento das batalhas da profissão.

“Eu faço assistência de gestantes com suspeita de Covid-19 em três maternidades, em Niterói, São Gonçalo e no Rio de Janeiro. Ainda tenho algumas dificuldades em relação ao entendimento da gravidade do caso. Quando o caso se agrava e dá tudo certo no final, sinto uma gratidão eterna da paciente e seus familiares. A gente marcou a vida dessas pessoas para sempre. Com certeza, nunca vou me esquecer desse momento, tanto como profissional, quanto como cidadã. Espero que essa pandemia termine logo da maneira menos traumática possível”, frisou.

A enfermeira niteroiense Bruna Dutra, de 32 anos, também coleciona histórias no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), onde o rosto ganhou pigmentação natural por conta do calor de horas com equipamentos de seguranças e a maquiagem não é mais necessária.

“Acredito ter vivido o pior momento da minha carreira e até mesmo da vida toda. Me sinto honrada de ser uma mulher que está fazendo diferença na vida das pessoas. Apesar da insegurança, ansiedade, medo de adoecer e deixar meus familiares e amigos doentes, me sinto forte e com coragem por fazer diferença no cuidado dos pacientes gravemente doentes pelo vírus”, frisa.

E dessa força e coragem a técnica de enfermagem Giselle Terra, 33 anos, entende bem. Ela se diz orgulhosa de ser mulher, mãe de três filhos, dona de casa e estar na linha de frente.

“A pandemia nos fez perceber que temos uma força vital múltipla. Tivemos que potencializar tudo que a gente tinha como energia, coragem, inteligência, medo e sensibilidade. Isso fez a gente ter forças para vencer essa guerra invisível. Com todos os nossos sentimentos e fragilidades, não dá para ser só um profissional. Precisamos colocar a sensibilidade, que acho que é única e exclusiva da mulher, para fazer diferença na vida das pessoas. Isso transformou nos transformou e acho que o mundo conseguiu perceber o quanto a mulher é essencial, na linha de frente ou em qualquer função”, finalizou.

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