Guerra do tráfico impõe terror em comunidades da Zona Norte

Augusto Aguiar

Durante praticamente uma semana, os moradores de várias comunidades situadas na Zona Norte de Niterói não tiveram paz, com sucessivos confrontos entre traficantes ocorrendo em várias localidades, deixando o saldo de muito mêdo e apreensão. A guerra pelo controle do tráfico na região teve mais um violento capítulo entre o fim da noite de quinta-feira e as primeiras horas da manhã de sexta-feira, quando mais jum intenso confronto ocorreu, dessa vez no complexo de comunidades do Santo Cristo, Palmeira, e Pimba. Além do terror e a incerteza dos moradores sobre o que pode ocorrer nos próximos dias, mesmo com o patrulhamento intensificado pela PM, o saldo do enfrentamento foi de um morto.

Ainda por volta das 22h30m de quinta-feira, moradores do Fonseca procuraram abrigo em suas casas depois de ouvirem uma intensa troca de tiros proveniente do Santo Cristo, na Riodades. De acordo com fontes policiais, criminosos ligados a facção criminosa Comando vermelho (CV), fortemente armados com fuzis e escopetas, e reforçados de aliados vindos do Rio, mais uma vez tentaram invadir e tomar os pontos de venda de drogas controlados pelos rivais do TCP (Terceiro Comando Puro). O intenso confronto se estendeu para as comunidades vizinhas da Palmeira, Morro Seco, e Pimba. Moradores do local e bairros vizinhos, que preferiram não se identificar com medo de sofrerem represálias, afirmaram que foi uma “noite de pesadelo” ao som de muitos tiros que se estendeu até às 05 horas da manhã. Num dos acessos ao Morro do Pimba, na esquina das travessas Luciano Prestes e Albertina Ladeira, um corpo com marcas de tortura e tiros de grosso calibre foi encontrado. A vítima foi identificada como João Antônio Agostinho, de 29 anos.

Não demorou muito para que várias pessoas afirmassem que fotos de traficantes ligados ao TCP estariam circulando nas redes sociais. Os bandidos posaram ao lado do cadáver, exibindo armas de grosso calibre, como fuzis de fabricação russa (modelo AK-47), pistolas 9 mm, e sinalizando com os dedos os símbolos da facção criminosa. Familiares da vítima estiveram na inicialmente na 78ª DP (Fonseca), afirmando que receberam um telefonema avisando que João havia sido morto. Ao tentarem chegar no local para reconhecer o cadáver, foram impedidos por traficantes do TCP que ainda estavam no local.

Os parentes de João, que foram orientados a procurarem a Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo (DHNSG) para registrarem o fato, afirmaram que ele já havia residido no Fonseca e Riodades, e que estava morando em São Gonçalo (bairro Mundel). Alegaram ainda que desconheciam o que ele, que tinha dois filhos, estaria fazendo na noite de quinta-feira no Morro do Pimba. Fontes policiais explicaram que possivelmente (esse fato ainda está sendo averiguado) que anteriormente João teria tido envolvimento com criminosos do TCP no Morro do Pimba e que depois (mais recentemente) teria passado a ter ligações com o CV, supostamente da Vila Ipiranga (Fonseca), Brasília (Engenhoca), e Marítimos (Barreto).

Traficantes se exibem com fazem selfie ao lado do cadáver do rival

Existe a suspeita que na noite de quinta-feira João, junto com “aliados” do Complexo do Salgueiro (São Gonçalo) e outros CV (da Vila Ipiranga, Brasília, Marítimo e do Rio), formando um “bonde” de carca de 30 homens, tentaram invadir e tomar os pontos defendidos por rivais (também fortemente armados) do TCP. teria se juntado a outros criminosos. Os pontos não teriam sido invadidos e João ainda morreu no intenso confronto que se seguiu. A remoção do cadáver de João só pode ser feita depois agentes da DHNSG reuniram um grupo fortemente armado e junto com PMs do 12º Batalhão foram até o local. O cadáver havia sido retirado pelos bandidos da parte mais alta da localidade numa caçamba de lixo.

Vale recordar que na segunda-feira, não muito distante dali, traficantes dos morros Juca Branco e Serrão (CV) se juntaram para invadir e tomar os pontos de venda de drogas da comunidade vizinha do Boa Vista (ADA), no bairro São Lourenço. Houve intensa troca de tiros e até as aulas do Colégio Estadual José Bonifácio foram suspensas para evitar riscos de balas perdidas. Na quinta-feira, no município de São Gonçalo, traficantes ordenaram um “luto forçado” e comerciantes foram proibidos de abriar as portas de seus estabelecimentos em parte do bairro do Mutuá.

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