Guerra declarada

A reunião entre os líderes partidários da Câmara de Vereadores de Niterói, realizada na terça-feira (6), apontou a saída do vereador Douglas Gomes (PTC) do cargo de vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa por apresentar perfil e comportamento incompatíveis com as qualidades exigidas para ocupar o cargo. Como Gomes é o único parlamentar do seu partido e, consequentemente, líder da bancada do PTC, o caso deve ser levado para votação em plenário.

O comportamento do vereador de ideologia bolsonarista vem sendo alvo de diversas críticas de seus colegas de plenário. A última foi na madrugada de terça-feira (6), quando Gomes foi fazer uma vistoria no Hospital Municipal Carlos Tortelly, no Bairro de Fátima, alegando que a equipe que deveria estar de plantão na unidade não estaria completa, causando preocupação nos profissionais de saúde da unidade. Alegando que ele usou de abuso de autoridade, os funcionários acionaram a Polícia Militar para resguardar a segurança dos trabalhadores e pacientes.

O primeiro pedido para sua retirada da Comissão dos Direitos Humanos foi feito pelo então vereador Luiz Carlos Gallo (Cidadania) em janeiro, antes de se licenciar do cargo para assumir a secretaria municipal de Esporte e Lazer de Niterói. Ele disse que se nada for feito com o objetivo de punir Douglas Gomes por suas atitudes, que classificou como antidemocráticas, ele deixa o governo e retorna ao parlamento para ajudar a acelerar o processo contra Douglas no Conselho de Ética.

“É prerrogativa do vereador fiscalizar as ações do executivo, mas não desta forma. Os funcionários da Saúde estão totalmente sobrecarregados e têm dado um exemplo em Niterói no combate à pandemia. Daí você ver um vereador fazer isso em um local com pessoas intubadas e os funcionários trabalhando duro todos os dias. Esse cidadão disse para a polícia que os funcionários não estavam presentes, mas toda a equipe médica estava presente na unidade”, afirmou indignado.

Ainda de acordo com Gallo, em seus 32 anos de vida pública ele nunca viu um parlamentar com essas atitudes. “Ele já foi ao plenário armado, já criou motim na porta da Câmara, agrediu colegas vereadores, não usa máscara, é contra vacina, viola os decretos da pandemia, é racista, defende aglomeração, é negacionista. O Conselho de Ética da Câmara precisa se manifestar e puni-lo”, disse Gallo que, antes de deixar a casa, era um dos três membros do conselho.

Gallo afirmou que vai esperar essa semana e que, se nada for feito, retornará à Câmara e não descarta a possibilidade de pedir a cassação do mandato do vereador. “Se o Conselho de Ética não se posicionar rápido, o meu retorno será imediato para fazer valer o regimento interno da Câmara. Nunca vi uma conduta deste tipo. Ele está falando para o seu público bolsonarista porque quer vir candidato à deputado”, concluiu.

Em nota, a assessoria de imprensa do vereador Douglas Gomes afirmou que está sendo perseguido por uma “guerra ideológica” promovida pelo PSOL e pelo PCdoB que estão unidos para lhe retirar da comissão por pensar Direitos Humanos de maneira diferente da deles. Nos bastidores, Gomes afirma que está dialogando com parlamentares em busca de apoio para permanecer na comissão.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) foi procurado para informar se foi acionado no sentido de entrar com uma representação contra o vereador, mas não retornou ainda.

Marcelo Almeida

One thought on “Guerra declarada

  • 8 de abril de 2021 em 06:48
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    Vcs não tem vergonha de reportar um jornalismo lixo deste ?? Reclamando do vereador q faz seu trabalho e o chamando de bolsonarista… tem q.fechar eate jornaleco

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