Guardas municipais de Niterói protestam por melhores condições de trabalho

Vítor d’Avila

Cerca de 100 guardas municipais de Niterói, que estavam de folga, realizaram na manhã de sexta-feira (5) uma manifestação em frente à Estação das Barcas, na Praça Araribóia, no Centro de Niterói. Os profissionais de segurança reivindicam melhores condições de trabalho. Os guardas também pedem a saída do coronel Paulo Henrique do comando da Secretaria de Ordem Pública e do inspetor-geral da Guarda, Leandro de Vitória Nunes, aos quais acusam de assédio moral.

A principal bandeira defendida é o pagamento do adicional de insalubridade. Segundo os manifestantes, o pagamento nunca foi feito, mesmo tendo previsão em leis federal e municipal. Existe a possibilidade de paralisação da Guarda Municipal, caso as pautas reivindicadas não sejam atendidas. O presidente do sindicato do guardas municipais, inspetor Marco Aurélio Fernandes Ferreira, afirmou que a principal reivindicação da categoria é o pagamento do adicional por insalubridade, além da troca de comando.

“As nossas principais bandeiras são o pagamento de insalubridade, que a gente já tem direito há muito tempo, além da troca de comando, que não aguentamos mais há sete anos de arbitrariedades e irregularidades, como processo para perseguirem os próprios componentes da Guarda Municipal. A gente só quer trabalhar. Há falta de condições, escala apertada. Ele usa as escalas menores para oprimir. Quando alguém cisma contigo, te trocam de horário, e colocam num horário ruim, como à noite. Tem diversas escalas para oprimir”, relatou.

Os manifestantes usaram camisas pretas, em forma de luto pelo GCM Célio Silva do Nascimento, de 41 anos, que morreu por complicações da covid-19. Os guardas afirmam que ele fazia parte do grupo de risco, por conta de sobrepeso, mas foi colocado, mesmo assim para trabalhar no Hospital Municipal Carlos Tortelly, unidade de referência para tratar pacientes com a doença. O trânsito na Rua da Conceição parcialmente interrompido, às 11h15m, para o protesto dos guardas, e o fluxo ficou em uma faixa.

Na sequência, os manifestantes fizeram uma caminhada pacífica até a Câmara Municipal. Na Casa Legislativa, os guardas gritaram palavras de ordem e estenderam faixas contendo as reivindicações, como a adoção da escala 12/60 no lugar da 12/36, além do fim do racionamento de combustível para as viaturas que, segundo o sindicado, é de 15L por dia. Depois, os guardas marcharam até a Prefeitura de Niterói, onde representantes do sindicato entregaram, pessoalmente, uma carta de reivindicações ao Gabinete do Prefeito.

Os guardas ainda alegam que a promessa do pagamento de uma gratificação adicional de 30% enquanto durasse a pandemia do novo coronavírus, feita no final do ano passado pelo então prefeito Rodrigo Neves (PDT) jamais foi cumprida. De acordo com Marcelo Costa da Silva, guarda há 19 anos e membro do sindicato, há corporação tem sofrido com descaso do poder público, num momento em que tem atuado firmemente, durante a pandemia.

“Estamos apresentando uma pauta de reivindicações e demonstrando nossa indignação frente a indiferença e descaso do poder público municipal. Queremos ressaltar que a guarda vem desempenhando um papel de protagonista durante esse período marcado pela pandemia da covid-19, atuando em diversas frentes”, destacou.

Viviam Lima, representante do cadastro de reserva do concursos de 2019 para a Guarda Municipal de Niterói forneceu mais informações sobre o impasse.

“Nós somos 219,que passamos nas cinco etapas do concurso. Nesse concurso nós gastamos mais de R$ 3 mil em exames médicos e todas as demandas que o concurso teve. Foi um gasto grande. Teve etapas de investigação social e de exercícios físicos também”.

Ela também afirmou que prefeitura chegou a contratar vigilantes particulares, ao invés de convocar os aprovados do concurso.

“São 219 pessoas aptas a assumir o cargo na Guarda Municipal, sendo que no ano passado a prefeitura contratou vigilantes particulares para os postos que seriam da guarda. Nossa reivindicação é que o prefeito cumpra com a promessa que ele fez, de 1.000 guardas municipais que comporta a cidade de Niterói, chamando o cadastro de reserva”.

Procurada para comentar sobre o assunto, a Prefeitura de Niterói não respondeu até o fechamento desta edição.

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