Guadá, o andarilho que vai onde o povo está, ou, “volta, Álvaro!”

Luiz Antonio Mello


Ponta D’Areia, Icaraí, Itaipu, Jurujuba, Engenho do Mato, Largo da Batalha, São Francisco, enfim, Niterói tem 129,3 quilômetros quadrados de área, que o Guadá percorre toda semana. Repito: toda semana, na íntegra.
Ele se chama Ernesto Guadalupe, é jornalista, relações públicas, dono da mais eficiente empresa de distribuição de jornais, revistas, impressos em geral do Estado. Em outras palavras, Guadá trabalha pra caceteporque gosta muito do que faz. Veja: https://www.facebook.com/ernestoguadalupe.guada.1
Se você circula por Niterói (não precisa nem morar na cidade) certamente já viu ou ouviu falar do Guadá, que distribui todos os bons jornais alternativos em padarias, clubes, farmácias, bancas, portarias de prédios. Por exemplo, quem chegar numa manhã de sábado na esquina de Moreira Cesar com Alvares de Azevedo e perguntar a qualquer um “você viu o Guadá por aí?”, com certeza alguém vai responder “passou por aqui mais cedo e disse que vai voltar”. O mesmo acontece na Padaria Versailles lá em Itaipu, ou na Glamour de Maria Paula, via Nossa Senhora de Lourdes, em São Francisco e Nova Alameda, no Fonseca.
É fácil avistá-lo. Um carro parado cheio de jornais e uma rodinha de conversa em torno de um sujeito grande, de suspensórios,animado, que fala alto, sabe de tudo o que acontece em Niterói, no país, no mundo. Esse é o Guadá, falando sem parar de trabalhar, trabalhando sem parar de falar,que só perde a linha se alguém falar mal de um amigo ou colega. De pacato cidadão ele se transforma em um furioso Vesúvio em defesa das pessoas que o cercam.
le é da tribo de um amigo irmão que tenho, o Álvaro Luiz Fernandes, giga advogado, que também não deixa ninguém na chuva. Caramba, como sou grato ao Álvaro por tudo o que faz e fez por mim desde a Rádio Fluminense FM onde foi uma peça chave no sucesso da Maldita. Há anos morando no Rio, quero combinar com o Guadá um movimento chamado “volta, Álvaro!” porque a cidade precisa de pessoas preciosas como ele.
Conheci o Guadá há mais de 40 anos no Abel, onde estudamos. Ele já era um agitador e mostrava claramente a sua vocação para a comunicação. Vivia andando pelo pátio, para baixo para cima, dando informações sobre o que acontecia no colégio. Foi diretor da C.E.I.A. (Comunidade Estudantil do Instituto Abel) e, claro, fazia e distribuia o jornal de lá, impresso no mimeógrafo. Seu parceiro de agitações era o multimídia man Renato de Luca, fotógrafo, cineasta, amigão nosso. Os dois eram unha em carne com o inesquecível e saudoso Júlio Cesar Monteiro Martins. Popular entre os alunos, Guadá também era respeitado e querido por todos os irmãos lassalistas que dirigiam o colégio, especialmente Irmão Amadeu.
Viciado em notícias (como todo bom jornalista, diga-se de passagem), ele acorda muito cedo e as 8 da manhã já sabe de tudo o que está acontecendo, aconteceu e vai acontecer. Além de ler todos os jornais, trabalha com o rádio do carro sintonizado na Bandnews FM, que, como se sabe, transmite notícias 24 horas.
Mas é no contato com o povo que ele fica sabendo do zum zum zum local, com rara capacidade de perceber logo o que é fato e o que é boato. Por isso sempre digo que o Guadá é PhD em Jornalismo sem ter escrito tese alguma porque o título veio da vivência, das ruas, do povo, naturalmente. Sempre brinco (mas falando sério) que se Arariboia tivesse um assessor de Comunicação seria o Guadá. Quer saber, caro leitor? Se Guadá tivesse vivido aqueles tensos e intensos dias de invasão francesa a partir de 1555, teria sabido por alguém que Estácio de Sá ia levar uma flechada (envenenada) no olho durante a Batalha de Uruçu-mirim (morreu dias depois) e, quem sabe, teria avisado ao fundador do Rio para evitar aquela rota.
Feliz a cidade que tem o Guadá como ouvidor, ombro amigo, noticiarista, distribuindo nossos jornais alternativos e, sobretudo, mantendo esse contato diário com Niterói que, com absoluta certeza, tem muito orgulho desse filho pródigo.

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