Greve provoca reflexo em diversos setores

A greve nacional dos caminhoneiros já provoca impacto na rotina da população. O transporte público opera com frota reduzida, alguns postos já estão sem estoque de combustível, Correios foi afetado e o preço de alguns alimentos disparou, com altas que ultrapassam os 300%. Sem acordo com o governo, a categoria mantém a paralização por tempo indeterminado, o que pode fazer com que a situação se agrave ainda mais.

Com as garagens sem combustível, muitas empresas tiveram de recorrer a postos comuns para abaster a frota. Com isso, o estoque que já estava reduzido, zerou em alguns estabelecimentos. No Posto Marclau, na BR-101, os veículos de passeio dividiam as bombas com os coletivos. Segundo o gerente, Raimundo dos Santos, os 12 mil litros de combustível que ainda estavam no tanque na tarde de ontem, durariam apenas até a noite, no máximo.

A situação não é diferente na Zona Sul e no Centro de Niterói, onde grandes filas de carros eram constantes ontem. No Posto Tiradentes, no Ingá, o diesel já tinha acabado na manhã desta quarta-feira (23), e os 16 mil litros restantes (4 mil de gasolina comum, 6 mil de aditivada e 6 mil de etanol) não devem passar da manhã de hoje. Já no Posto Via Ponte, no Centro, não havia filas, mas também não tinha mais combustível. Segundo o gerente, Dorvalino Augusto, não há previsão para a reposição do estoque e por conta disso, funcionários terão folga nesta quinta-feira (24).

A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) informou que a falta de diesel chegou a um ponto extremamente crítico para a operação das empresas de trasporte. De acordo com um levantamento feito na manhã de ontem, 40% da frota não foi para as ruas por indisponibilidade de combustível, comprometendo o transporte de passageiros, especialmente na Região Metropolitana. Caso o abastecimento não seja normalizado, o cenário para hoje pode ser ainda mais grave, diz a Fetranspor, podendo chegar a redução de até 70% da frota. O consumo de óleo diesel chega a 2 milhões de litros por dia em todo o Estado.

Os consórcios Transnit e Transoceânico, que operam as linhas de ônibus em Niterói, enviaram ofícios à Subsecretaria Municipal de Transportes informando que a greve nacional dos caminhoneiros está afetando o abastecimento das empresas que integram o presente consórcio, com risco de limitação e racionalização na operação das linhas. Uma ds empresas que operam na cidade, a Viação Santo Antonio, que têm nove que rodam entre Largo da Batalha, Sapê, Cubango e parte da Região Oceânica, confirmou a redução da frota no dia de ontem, mas não informou quantos coletivos ficaram na garagem.

Alimentos – Os reflexos do protesto dos caminhoneiros chegaram também ao bolso do consumidor. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Sul Fluminense, por exemplo, fornecedores da indústria de laticínios estão descartando a produção de leite devido aos bloqueios nos transportes de carga. No Centro-Sul, frigoríficos de aves também não estão conseguindo escoar a produção. Segmentos da indústria de alimentos que processam produtos altamente perecíveis como hortifrutigranjeiros são igualmente atingidos, tanto na dificuldade de abastecimento quanto em alta de preços.

Em uma rede de supermercados da cidade, os preços de produtos tiveram aumento considerável nas prateleiras deste ontem. O quilo da batata teve uma alta de 75,18%, passando de R$3,99 para R$6,99. Já o tomate aumenou R$4, de R$ 3,99 para R$ 7,99, um aumento de 100,25%. O reajuste da cenoura foi ainda maior, de 168,96%, aumentando de R$1,45 para R$3,90.

No Ceasa de São Gonçalo, a situação não é diferente. Além da falta de alguns alimentos, os que ainda tiham em estoque no centro de distribuição tiveram reajustes consideráveis. A batata foi o produto com o maior aumento no preço, assim como a batata doce, cenoura e morango, que também sofreram altas. Conforme dados de entrada da Portaria, houve uma queda de 51% da entrada de caminhões carregados, das 00h até às 15h de terça-feira (22). Nesta quarta , a entrada de caminhões carregados já caiu para cerca de 70%. Como resultado o Rio de Janeiro, sofre por desabastecimento e como consequência a alta de preços dos produtos.

O preço da batata inglesa lisa (saco de 50 Kg), que custava na média de R$74,00 na semana passada, aumentou para R$350,00, sendo o principal produto que teve o preço aumentado, tendo uma variação de 373%. Já preço da batata doce (caixa 20 Kg), que custava na média de R$24,00 na semana passada, aumentou para R$55,00, tendo uma variação de 129%. O preço da cenoura (caixa 18 Kg), que custava na média de R$36,00 na semana passada, aumentou para R$60,00, tendo uma variação de 66%. O preço do morango (caixa 1,2 Kg), que custava na média de R$12,00 na semana passada, aumentou para R$18,00, tendo uma variação de 50%.

Correios – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos suspendeu temporariamente as postagens das encomendas com dia e hora marcados (Sedex 10, 12 e Hoje). Em comunicado, os Correios informaram que a paralisação também tem gerado “forte impacto” e atrasos nas operações da empresa em todo o país.

“Tendo em vista comprometer a distribuição, também haverá o acréscimo de dias no prazo de entrega dos serviços Sedex e PAC (entrega não expressa), bem como das correspondências enquanto perdurarem os efeitos desta greve”, diz a nota.

No mesmo documento, os Correios informam que “toda a logística brasileira” sofre prejuízos em decorrência da paralisação dos caminhoneiros, iniciada segunda-feira (21). A operação dos Correios envolve mais de 25 mil veículos, 1.500 linhas terrestres e 11 linhas aéreas de norte a sul do país. A empresa entrega mensalmente cerca de meio bilhão de objetos postais, entre eles 25 milhões de encomendas.

“Os Correios estão acompanhando os índices operacionais de qualidade de toda essa cadeia logística e, tão logo a situação do tráfego nas rodovias retorne à normalidade, a empresa reforçará os processos operacionais para minimizar os impactos à população”, acrescenta o texto.

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