‘Greve pela Vida’ continua em São Gonçalo, Itaboraí e Maricá

Raquel Morais

Professores e profissionais concursados da educação de São Gonçalo, Itaboraí e Maricá reafirmaram a ‘Greve pela Vida’ nos últimos dias. A categoria decidiu parar para protestar contra a retomada das atividades presenciais nas dezenas de escolas nas cidades. Os profissionais temem a contaminação pela Covid-19 e cobram das autoridades medidas de restrição nas escolas já que a pandemia do coronavírus ainda não acabou. A categoria não foi vacinada e as escolas não possuem ferramentas para garantir um ambiente seguro para funcionários e alunos, o que torna o ambiente escolar um ambiente de risco.

A greve foi decidida em 28 de janeiro mas em fevereiro representantes do Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ) dos núcleos São Gonçalo, Itaboraí e Maricá reafirmaram a greve. O ano letivo começou no dia 8 de fevereiro de forma remota mas agora, aos poucos, os profissionais da educação estão sendo convocados para a jornada de trabalho presencial. Isso está preocupando a categoria de várias cidades. A greve resguarda o funcionário que está disponível para trabalhar de forma remota, e para categorias que não possuem essa possibilidade, os trabalhadores estão assegurados pelo sindicato.

No último dia 27 (sábado) o Sepe São Gonçalo reafirmou a greve para os cerca de 3 mil funcionários da educação municipal. A diretora Maria do Nascimento explicou que a categoria não está se negando a trabalhar e sim resguardando a própria saúde.

“Temos que lutar pelo direito da nossa vida e preservar nossa vida é fundamental. Estamos nos protegendo, os nossos alunos e os parentes de todos. Não estamos nos recusando a trabalhar, mas não queremos colocar nossa vida em risco. Não fomos vacinados e não temos suporte para retomar as aulas como se nada estivesse acontecendo”, frisou Maria.

No próximo dia 8 de março estão marcados alguns atos, em pequenas proporções, para divulgar os atos com pequena carreata com carros de som, por exemplo. Em Itaboraí o Sepe divulgou que a assembleia do último dia 22 ficou acordado que os profissionais de educação convocados preencham uma declaração, informando à direção de sua unidade escolar dos motivos pelos quais aderiram à greve pela vida convocada pelo Sepe.

Em Maricá o Sepe confirmou que nos dias 23 e 25 de fevereiro representantes participaram de uma reunião e foi reafirmado o posicionamento contra o retorno das aulas presenciais nesse momento por considerem que estamos no pior momento da pandemia e por acreditar que a única forma de termos uma volta às aulas em segurança é com vacina.

“Questionamos o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por estar pressionando por uma reabertura das escolas sem que haja segurança para tal, colocando diversas vidas em risco, em vez de pressionar o governo federal a obter vacinas”, informou o Sepe.

A Prefeitura de São Gonçalo informou que o diálogo com os sindicatos vem sendo realizado, sempre mantendo cordialidade. As questões abordadas durante as reuniões foram adequadas ao plano de retorno às aulas em cada uma das 116 unidades municipais de ensino. Em relação à greve, a secretaria informou que não recebeu nenhuma notificação oficial sobre qualquer tipo de paralisação.

A Secretaria de Educação de Maricá esclareceu que vem atuando em conjunto com a Secretaria de Saúde do município para que o retorno das aulas seja feito de maneira segura e responsável, dentro do que preveem todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para esta finalidade, como a adequação dos espaços ao quantitativo estabelecido por sala pelos protocolos, a adoção do distanciamento social nas atividades, a utilização de máscaras por todos e o uso do álcool em gel. Todos os esforços tem o intuito de prevenir e evitar a circulação do vírus da Covid-19.  Prepara um cronograma de retorno gradual das aulas. A data para que isso ocorra ainda está sendo definida. 

A Prefeitura de Itaboraí informou que os profissionais da rede municipal de Educação estão trabalhando de forma remota. A previsão é que o retorno seja feito de forma gradual, em cinco fases, respeitando as determinações das autoridades sanitárias. A primeira fase o início para rede particular da educação básica dia 3 de março. O planejamento prevê que, na primeira semana de março, os trabalhadores da rede passem por uma capacitação, junto à Secretaria Municipal de Saúde com a Vigilância Sanitária. Essa qualificação se estenderá por todo o mês.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) não se manifestou sobre o assunto.

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