Greve da saúde em Niterói prejudica atendimento em Santa Barbara

Apesar de terem sido recebidos pela secretária municipal de Saúde de Niterói, Maria Célia Vasconcellos, na tarde desta terça-feira (03) na Prefeitura, não será desta vez que a Associação dos Servidores da Saúde de Niterói (ASSN) conseguirá a tabela salarial prometida há dois anos pela Prefeitura e solucionar o impasse no município. Ontem, após a assembleia, o presidente da ASSN, César Braga Macedo, disse que a secretaria não poderá atender as reivindicações por que está de saída do cargo.

“Ela recebeu a nossa comissão, mas disse que semana que vem será um outro secretário e o edital regularizando a tabela será agora resolvido com ele. Isso nos deixou preocupado”, disse César Macedo, que promete uma nova manifestação na próxima segunda-feira (9).

Ontem a categoria fez uma greve de advertência de 24h nos hospitais municipais de Niterói, iniciada meia-noite de ontem, e prejudicou parcialmente o serviço à população, principalmente na Unidade Básica de Saúde de Santa Barbara, Zona Norte da cidade, onde os atendimentos foram remarcados e os funcionários só mantiveram a vacinação de sarampo.

No entanto, a Fundação Municipal de Saúde de Niterói (FMS) informou que não houve interrupção no atendimento na rede municipal.

“A Fundação reitera que sempre esteve aberta ao diálogo com os servidores e realiza reuniões com a categoria quando solicitado. A proposta de tabela salarial está sendo avaliada”, afirmou no texto.

A Associação dos Servidores da Saúde de Niterói (ASSN) não soube dizer a porcentagem de servidores que aderiram a paralisação e informou que não teve como contabilizar devido ao número existente de contratados e das várias unidades de saúde.

“A paralisação aconteceu em diversos pontos. Muitos funcionários aderiram à paralisação e outros contratados seguem trabalhando normalmente. A triagem de novos pacientes não foi realizada na UBS Santa Barbara, e quem tinha consulta agendada foi remarcada para outra data”, informou a Associação.

A Associação denuncia também que a quantidade de leitos oferecidos é muito inferior ao necessário e hoje a cidade enfrenta a situação de ter que levar moradores de Niterói para serem atendidos em outros municípios do Estado.

“Situação que é inversa a de alguns anos atrás. Porém, muitos niteroienses não conseguem o transporte que é uma responsabilidade da prefeitura nestas situações”, afirmou o presidente.


Ele explicou que a prefeitura lançou dois concursos para a saúde, um pela fundação estatal e outro pela fundação privada, mas que não entende a incompatibilidade salarial.

“A diferença de salários entre os dois supera os 100%, em franco desrespeito à Constituição que determina salários iguais para funções iguais. Além de representantes da Associação dos Servidores da Saúde para falar sobre estes temas temos contatos de moradores que procuram desesperados apoio dos profissionais de saúde por não conseguirem o atendimento que mereciam”, disse César Macedo.

O presidente da Associação disse que Niterói é o único município que tem uma única Secretaria Municipal de Saúde com duas Fundações, uma Fundação Pública e outra Fundação Privada.

“Dois tratamentos absolutamente diferentes e para a pública a humilhação de um salário aviltante”, lamentou César Macedo.

Segundo ele, a Secretaria Municipal de Saúde tem responsabilidade sobre isso, não importando quem seja o secretário ou secretária.

“O tratamento de forma discriminatória é uma prática anti ética e fere a moralidade pública. A publicação do Edital para o concurso da Fundação Privada de Saúde mostra claramente a forma da humilhação, imposta pelo governo Rodrigo Neves, aos servidores da FMS”, criticou.

César Macedo disse que a publicação de dois editais um da FMS (pública) e outro da Fundação Privada, (estatal) com bases salariais absolutamente díspares, é considerada pela associação como uma afronta a dignidade.

“Por exemplo: um médico de diversas especialidades – pediatra, ginecologista, urologista, ortopedista, neurologista, entre outros – com carga horária de 20h, na Fundação Pública tem um salário inicial de R$ 2.083,00. Se for 24h , terá o mesmo salário de R$ 2.083,00. Já um médico na Fundação Privada por 20h terá salário de R$ 6.900,00 se for 24h R$ 8.280,00 se for 40h salário de R$ 13.800,00. Ou seja, Fundação privada para R$ 69,00 por hora enquanto Fundação Pública R$ 21,00 por hora”, criticou.

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