Governo reduz em 20% rede de farmácias populares

Wellington Serrano
Geovanne Mendes

A rede credenciada de estabelecimentos do programa de farmácias populares do governo federal encolheu em 6.317 unidades desde o fim do ano passado até o começo de março deste ano. Segundo dados da Sala de Apoio à Gestão Estratégica (Sage) do Ministério da Saúde, a redução representa uma queda de quase 20% no número dos estabelecimentos.

No balanço final divulgado em dezembro, existiam 34.616 unidades credenciadas no programa Aqui Tem Farmácia Popular, iniciado em 2006 e que, segundo o governo federal, beneficiou 38 milhões de pessoas em seus 10 primeiros anos de funcionamento.

No mercado há 10 anos, quando se credenciou ao programa de farmácias populares, Carlos Roberto Salgado diz que não se preocupa com esse cenário de descredenciamentos. Ele acredita que só quem faz um trabalho sério e comprometido com o público se manterá no mercado.
“Criado há 10 anos, o programa Aqui tem Farmácia Popular ampliou o acesso aos medicamentos da Farmácia Popular do Brasil para farmácias privadas, que até então só existiam nas unidades próprias do Ministério da Saúde. Por isso eu digo que não tenho medo”, comentou o empresário que possui uma farmácia no Centro de São Gonçalo.

A redução no número de agências ocorre dez meses depois de o ex-ministro da Saúde, Agenor Álvares da Silva, afirmar que o programa tinha recursos limitados. Desde então, com mudanças de governo, o assunto ficou em suspenso. Depois de assumir a pasta, o ministro Ricardo Barros (PP-PR) afirmou em julho do ano passado que o fim do programa era boato.

Entretanto, dados mais recentes apontam que o total de unidades que compõem a rede do programa agora é de 28.299 farmácias, representando o menor número desde 2012. Ao todo, o índice é 18,2% a menos do que no fim de 2016.

A funcionária pública estadual Márcia André Barbosa, de 55 anos, diz que há 30 anos usa remédios de uso contínuo para controle da pressão arterial e graças ao programa consegue, através de um laudo, remédios gratuitos, com 100% de subsídio do governo federal.

“Se não fosse a farmácia popular eu já tinha morrido. Sou funcionária do estado, não tenho dinheiro. Imagina gastar R$ 500 em remédios, como eu iria comer?”, questionou.

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