Golpistas movimentaram R$ 100 milhões desviados de servidores, diz polícia

Criminosos especializados em dar golpes em servidores públicos de Niterói e São Gonçalo, por meio de empréstimos, teriam movimentado em torno de R$ 100 milhões, de acordo com apuração da Polícia Civil. Segundo levantamento feito pela equipe de investigação da delegada Raíssa Celles, atualmente titular da 79ª DP (Jurujuba), as empresas de fachada, criadas para a prática, teriam sede na capital.

Segundo a delegada, os bandidos, fazem utilização de empresas constituídas para a execução da fraude, utilizando indevidamente correspondentes bancários regularmente credenciados. A quadrilha, então, oferece contrato de mútuo com pagamento consignado em contracheque (empréstimo por crédito consignado).

Dessa forma, os estelionatários realizam a captação de recursos das vítimas-mutuários com a promessa de aplicação ou investimento desses valores no mercado financeiro, e a devolução acrescida de rentabilidade atrativa, geralmente entre 10 e 20% dos valores aplicados. O restante do valor seria usado para a quitação das parcelas das consignações.

“[Os bandidos atuam] oferecendo crédito consignado ao servidor. 10% ficavam com a vítima, os outros 90% a vítima repassava para a empresa que se encarregaria de fazer aplicações com a promessa de um grande lucro e, além de pagar todas as parcelas do empréstimo, elas ainda de tempos em tempos dariam parte desse lucro para a vítima”, explicou a delegada.

Entretanto, os golpistas não cumpriam com os prazos estabelecidos para fazer os pagamentos e, após o pagamento das primeiras parcelas, desapareciam com o dinheiro das vítimas, deixando também de quitar as parcelas dos empréstimos contraídos. “Só que em um determinado momento ela [a empresa] parava de fazer esse pagamento e sumia com o dinheiro da vítima”, prosseguiu Raíssa Celles.

De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha movimentou cerca de R$ 100 milhões, desviados de aproximadamente 500 vítimas. A investigação conseguiu apurar que existem 20 empresas ativas, apenas para colocar em prática as fraudes. A distrital indiciou, até o momento, 31 pessoas, suspeitas pelo crime de estelionato.

Como escapar do golpe

A polícia faz orientações aos servidores, para que não sejam vitimados pela quadrilha. Entre elas estão desconfiar de propostas de empréstimo com vantagens diferentes do normal, atenção aos procedimentos utilizados para a contratação, se fogem do convencional, além de apenas fazer negociações do tipo com instituições renomadas e devidamente credenciadas.

“Desconfie de excelentes oportunidades. Se certificar da confiabilidade de uma empresa, isso pode ser feito na própria internet. Caso você verifique que caiu em um golpe, procure a delegacia de polícia mais próxima. Assim contribui para que outras pessoas não caiam no mesmo golpe e ajuda a polícia a identificar e prender esses criminosos”, concluiu a delegada.

Casos dispararam

Crimes de estelionato, que se tornaram febre durante o isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus, permanecem em alta em Niterói, segundo dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP). O último balanço, leva em consideração os meses de janeiro a março de 2021.

No acumulado dos três primeiros meses do ano, o município contabilizou 646 casos do tipo, contra 494, no mesmo período, em 2020. Isto significa alta de 30,8%. Se considerado apenas o mês de março, o crescimento percentual é ainda maior. Foram 271 casos no terceiro mês de 2021, ante 146, em março de 2020. Uma alta de 85,6% no total de registros.

A média estadual de casos de estelionato é ainda maior. Nos três primeiros meses de 2021, foram contabilizadas 13.397 ocorrências do tipo, em todo o Rio de Janeiro, contra 10.583, no mesmo período, no ano passado. Alta de 26,6%. Se considerado apenas março, o aumento no percentual de registros foi de 71,9% em todo o Rio. 5.306 ocorrências em 2021, ante 3.086 no mesmo período, em 2020.

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