Golpes feitos pelo pix atingiram mais de 2 milhões de brasileiros em 2021

Advogada Jessyca Arieira orienta como a vítima deve agir nesses casos

Desde que o programa de pagamentos e transferências instantâneas, mais conhecido como PIX, foi criado pelo Banco Central, muitos brasileiros passaram a realizar transações financeiras pelo celular. Até mesmo quem não tinha esse costume. Só este ano, foram realizadas mais de 500 milhões de transações por essa ferramenta. Mas da mesma forma que esse processo trouxe facilidade e conformou, o número de golpes financeiros disparou.

De acordo com um laboratório especializado em segurança digital, o Dfndr Lab, da PSafe, apenas no primeiro semestre de 2021 aconteceram mais de 2.3 milhões de registros de fraudes para roubo de dados bancários e de cartão de crédito. Um dos principais golpes, de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), é o chamado ‘phishing’.

Esse tipo de crime virtual acontece quando a vítima é levada a fornecer informações sigilosas ao receber falsas solicitações via e-mail, mensagens no WhatsApp, links enganosos ou até mesmo por telefonemas. Há ainda o golpe do Código QR (ou QR Code) falso, que é bem parecido ao antigo golpe do boleto, em que bandidos “clonavam” um boleto verdadeiro e inseriam os dados de outra conta para o recebimento do dinheiro.

Uma dessas vítimas foi a advogada Mirel Passos, de 63 anos. Ela explica que tudo começou quando recebeu uma mensagem por volta das cinco da tarde que, em princípio, pensou ser da filha, que se encontrava em uma viagem pela Ásia ao lado do marido.

A vítima percebeu que o número era diferente do habitual, mas que a filha já estava acostumada a mandar mensagens com um número temporário quando viaja para fora do Brasil. Além disso, a foto de perfil do WhatsApp era “atualíssima”. E mesmo estranhando o horário da mensagem, que era tarde da noite pelo local onde estava, Mirela fez a transferência ao perceber que a conversa tinha sentido.

“Perguntei o que houve porque achei estranho ela me mandar mensagem naquele horário. Mas justamente por ser madrugada não consegui contacta-la no telefone que tinha dela. Já fazem isso propositalmente porque eles sabiam tudo, falou no nome dela, do marido dela, dizendo que tinham acabado de chegar de um jantar. Até perguntei: ‘Esta tarde aí, está de madrugada’. Daí me responderam ‘Sim, mas acabamos de chegar de um jantar’. Achei plausível e fiz a transferência”, recorda.

Os golpistas conseguiram enganá-la com uma série de conversas que faziam sentido para a vítima, que transferiu R$ 7.500 ao todo. Mirela fez a transferência e mandou o comprovante para o número que pensava ser da filha. Mas também enviou para o contato que, de fato, era dela. Horas depois, a filha fez contato às oito da noite, no horário de Brasília, questionando por que a mãe fez um depósito para uma pessoa e passou o recibo para ela.

Durante a conversa por telefone, as duas perceberam que caíram em um golpe.

“Eu me senti péssima. Sendo uma pessoa esclarecida e já sabendo que estavam acontecendo esses golpes, ainda assim cai. Friamente, fui ler a história toda, pois foram quase 24 em contato. Conversou comigo falando nomes, rindo, fazendo ‘kkk’. Uma coisa muito plausível, impressionante. Depois fiquei me questionando, fui prestar atenção nos dados, fazer a leitura e vi que tinham alguns erros de português. Mas só fui perceber isso depois”, lamenta.

Para se proteger de golpes como o que Mirel caiu é que a advogada Jessyca Arieira, especialista em Direito Empresarial e Mercados de Capitais, orienta que o usuário deve criar algumas estratégias de segurança e estar atento.

“Uma boa medida é definir um limite diário de valor que pode ser movimentado com o pix. A medida não é obrigatória, mas é um jeito de ter ainda mais controle e segurança sobre as transações. Assim, é possível colocar uma etapa extra de verificação para movimentações incomuns”, orienta Jessyca.

Advogada Jessyca Arieira orienta o que fazer caso a vitima caia em algum golpe. Foto: Divulgação

O que a vítima pode fazer após o golpe

A advogada também explica o que a vítima do golpe pode fazer após realizar uma transação para um perfil falso. Ela orienta que a pessoa faça um registro de ocorrência na Polícia Civil imediatamente. Após esse procedimento, é necessário registra uma reclamação no banco onde a vítima tem conta e também na instituição financeira na qual o golpista usou os dados bancários. Além disso, ela cita quais são outras alternativas nesses casos.

“Se a pessoa tiver dificuldades com o banco em que tem conta, deve procurar o Procon. Caso a transferência tenha sido feita pela chave Pix, informe também a chave que foi utilizada. Com esses dados, o banco pode impedir a realização de novos golpes. Também é de suma importância é que, se a transação foi feita pelo pix, deve-se informar o fato também para a instituição financeira, pois ela poderá efetuar uma marcação da chave pix de destino do dinheiro, bem como a conta e o usuário recebedor, o que contribui para evitar novos casos de golpes, reduzindo o risco para todos os usuários”, detalhou Jessyca.

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