‘Golpe da casa própria’ causa prejuízo de R$ 30 mil a idosa

Vítor d’Avila

Uma idosa de 71 anos, moradora do Centro de Niterói, foi vítima do “golpe da casa própria”. Ela pagou a quantia de R$ 30 mil acreditando estar adquirindo uma casa, localizada no Boaçu, em São Gonçalo, mas acabou sem o imóvel e sem o dinheiro. O principal suspeito do crime é um advogado, que foi apresentado à vítima por vizinhos da filha dela. A senhora queria comprar uma casa no bairro gonçalense para sair do aluguel e viver perto da filha. A Polícia Civil passou a investigar o caso na quarta-feira (10), quando a aposentada foi à 76ª DP (Niterói) comunicar o crime.

“Eu conheci ele perto da casa da minha filha. Aí me disseram lá que a casa estava à venda. Eu tinha recebido uma indenização na justiça aí resolvi comprar para sair do aluguel. Ele falou que a casa era dele e venderia para mim”, disse a idosa, que preferiu não ter a identidade revelada.

Eles negociaram o imóvel pelo valor de R$ 40 mil, em que R$ 30 mil seriam pagos à vista e os R$ 10 mil restantes divididos em dez parcelas de R$ 1 mil. Embora pareça baixo, a vítima afirmou não ter estranhado o valor porque o local é área de domínio do tráfico de drogas.

Segundo a Polícia Civil, o advogado solicitou que o pagamento dos R$ 30 mil fosse dividido em três contas diferentes: uma em nome dele e outras tendo como titulares a mãe e a irmã. Após o depósito, o suspeito levou a vítima a um cartório para assinar documentos que a aposentada não soube precisar sobre o que eram.

“Eu dei os R$ 30 mil, ele foi no cartório comigo, me fez assinar um papel dizendo ele que era para compra e venda. Ele sumiu, não me deu documentos, nem chave e todo dia quando eu ligo ele fica gritando comigo, eu passo mal. Ele fica falando que me deu chave, documento e é mentira”, denunciou a vítima.

Sem as chaves, os documentos e o dinheiro depositado, a aposentada se viu com apenas uma alternativa: recorrer à polícia. O caso aconteceu no dia 14 de janeiro e na quarta-feira (10) ela resolveu comunicar o crime à distrital, que registrou o caso como crime de estelionato. Por meio dos extratos bancários, os destinatários dos depósitos já foram identificados.

Segundo a Polícia Civil, o advogado é morador de São Gonçalo, mas possui endereço profissional em Niterói. Ele possui anotações criminais anteriores por coação no curso do processo e lesão corporal em decorrência da Lei Maria da Penha. A 76ª DP irá conduzir a investigação a fim de apurar, por exemplo, se o suspeito é de fato proprietário do imóvel.

Estelionatos em alta

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que o crime de estelionato foi uma das práticas que apresentou aumento de incidências no Estado do Rio de Janeiro. Em 2020, foram 48.552 casos, contra 41.253 no ano anterior, o que significa aumento de 17,7%.

Em Niterói, o aumento foi superior à média estadual. No ano passado foram 2.084 casos, contra 1.713 em 2019. O aumento registrado foi de 371 dados no total, o que representa 21,7%.

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