Futuro da água em discussão

A conservação e o reaproveitamento da água foi tema de um seminário realizado na manhã de ontem na sede da Representação Leste Fluminense da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em Niterói. Foram discutidas medidas e apresentadas algumas propostas do que é possível fazer para o bom aproveitamento dos recursos hídricos do Estado.

Tendo como alertar para a importância da conservação e do reúso da água na indústria, a Firjan e o Sebrae-RJ desenvolveram o Manual de Conservação e Reúso de Água na Indústria. A publicação apresenta detalhadamente etapas que permitem a formulação de um Plano de Conservação e Reúso de Água (PCRA) em qualquer tipo de indústria, tais como levantamento e compilação de dados; identificação de opções para gestão da demanda e otimização do uso da água; determinação do potencial de reúso de água; aproveitamento de águas pluviais. O manual também tem como objetivos apresentar aspectos da metodologia do ponto de mínimo consumo de água (“water pinch”) e a conceituação básica do processo de avaliação econômica da implementação de um PCRA.

Segundo o especialista em Meio Ambiente da Firjan, Ivan Mello e Silva, é preciso que ações sejam feitas para evitar novas crises hídricas, como a de 2015, quando os reservatórios ficaram praticamente vazios. A questão do tratamento de esgoto também foi abordada por ele.
“Hoje a coleta de esgoto no Estado do Rio é até razoável, mas o tratamento dele ainda deixa a desejar. Recursos hídricos saudáveis podem render muitos recursos para o Estado. Ainda falta muita informação sobre o total de esgoto que é coletado e muitas áreas sequer foram mapeadas. Os comitês de bacia têm projetos interessantes para o setor, mas na maioria das vezes esbarram nas dificuldades impostas pelas prefeituras”, afirmou.
Para o presidente da Representação Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano Alves, as Parcerias Público Provadas (PPP) são fundamentais para obter os recursos necessários para investimento no meio ambiente e na reutilização da água. Na opinião de Alves, ainda há um grande desconhecimento sobre o assunto.

“As PPPs ainda são mal compreendidas e pouco exploradas. Os comitês de bacia precisam ser mais eficientes, ter mais ação. É uma ferramenta muito importante que deveria ser melhor utilizada”, declarou.

Embora o Brasil tenha quase 13% da reserva de água de todo o planeta, a sua distribuição é desproporcional à concentração populacional. A Agência Nacional de Águas alerta que nove Estados ultrapassaram ou estão no limiar do déficit hídrico. Ainda há um alto nível de desperdício de água: estimativas do Instituto Trata Brasil mostram que, em média, 37% da água se perde entre a captação e a distribuição.

Segundo dados da ONG The Nature Conservancy (TNC), o cenário vivenciado pelos recursos hídricos vem causando sérios impactos financeiros em diversos setores da economia. O Banco Mundial alerta que haverá um declínio de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) nas taxas de crescimento até 2050 em razão das perdas dos recursos hídricos – impactando vários setores da economia. Para o especialista em conservação da TNC, Hendrik Lucchesi Mansur, a escassez da água é uma realidade, e com grandes consequências não só para a indústria, mas sobretudo para a população.

“Se nada de efetivo for feito, vamos enfrentar novamente uma crise como a de 2015. Existem soluções, mas falta vontade para colocá-las em prática. E muitas dessas soluções estão na própria natureza. Não faltam exemplos espalhados pelo mundo, e até mais perto do que se imagina, aqui mesmo no Estado do Rio”, alerta Hendrik.

Um desses exemplos está sendo colocado em prática na cidade de Rio Claro, no Sul Fluminense. A TNC desenvolve o projeto Produtor de Água, em coordenação com vários parceiros, entre eles a Agência Nacional de Águas (ANA), que criou o modelo. Os objetivos do programa são proteger e reflorestar matas nativas e Áreas de Preservação Permanente (APPs) de forma a conservar os recursos hídricos, reduzir a erosão, aumentar a infiltração e conservar áreas com boa cobertura vegetal.

O projeto oferece também apoio técnico e financeiro para ações de recuperação de áreas degradadas. Isso porque, muitas vezes, o produtor não tem condições de sustentar essas ações sozinho, o que faz com que elas deixem de acontecer em muitas bacias hidrográficas.

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