‘Fura-fila’ na vacinação: diretores denunciados são demitidos de OS

Vítor d’Avila

Investigados pela Polícia Civil e Ministério Público por suspeita de fraude na vacinação contra covid-19, Rogério Casimiro e Adriana Morais Pereira foram demitidos da organização social Instituto Sócrates Guanaes, que administra o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal). A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

No dia 22 de fevereiro, quando foi deflagrada operação de busca e apreensão na unidade de saúde, que fica na Zona Norte de Niterói, o ex-casal já havia sido afastado de suas funções. De acordo com informe da SES à época, “para ampla investigação interna da denúncia”.

Os ex-diretores são investigados por terem remanejado doses do imunizante para que fossem aplicados em pessoas de grupos não prioritários. Entre eles dois filhos de Adriana, enteados de Rogério, de 16 e 20 anos. Funcionários do setor administrativo, estagiários e acadêmicos também teriam recebido a dose.

A Secretaria complementa afirmando que uma sindicância interna foi instaurada e a SES colabora com as investigações dos órgãos de controle e da Polícia Civil. Ao longo desta semana, Rogério deve prestar depoimento na Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD).

A reportagem de A TRIBUNA tenta, desde terça-feira (16), contato com a defesa de Rogério, mas ainda não obteve retorno. A defesa de Adriana não foi localizada.

Funcionários confirmam que Rogério ordenou remanejamento

Segundo o delegado Thales Nogueira, titular da DCC-LD, funcionários da unidade prestaram depoimento e detalharam sobre o funcionamento do remanejamento das doses, que teria sido solicitado por Rogério. De acordo com os relatos, uma redução na quantidade de doses enviadas pelo Município foi o ponto de partida.

“Algumas testemunhas falaram que ele seria responsável pelo remanejamento de vacinas. Mandaram um número de 1,8 mil nomes para a Prefeitura, a Prefeitura fez um corte e mandou 1,2 mil doses e o Rogério teria feito o remanejamento e autorizou a vacinação dos administrativos. Ele teria autorizado as técnicas de enfermagem a vacinar as pessoas do setor administrativo. Ele teria chegado na hora e pedido para vacinar os enteados porque eles seriam acadêmicos”, explicou o delegado.

O CASO

Suspeitos de furar fila da vacinação contra a covid-19, no Hospital Estadual Azevedo Lima, estão na mira da Polícia Civil. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, em fevereiro, na unidade de saúde e na casa dos ex-diretores (que foram casados) da Organização Social (OS) que administra o hospital.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro e as investigações começaram após o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) denunciar que dois filhos da coordenadora, enteados do diretor, haviam sido vacinados sem fazer parte dos grupos prioritários.

Segundo a Polícia Civil, os cartões de vacinação dos jovens foram encontrados e apreendidos, aumentando a suspeita de fraude. Em diligências na unidade, foram encontradas diversas rasuras e vulnerabilidades na lista de vacinados, inclusive o nome do jovem de 16 anos, identificado como “acadêmico de medicina”.

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