Funcionários do Hospital Alberto Torres continuam com salários atrasados

O atraso do pagamento dos funcionários terceirizados do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, continua tirando o sono dos trabalhadores. Os acertos referentes a maio, que deveriam ter sido feitos em junho, ainda estão sem previsão de serem pagos e médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, trabalhadores administrativos e seguranças estão se virando como podem para conseguirem colocar o sustento em casa. No último domingo mais de 10 funcionários faltaram a escala por não terem dinheiro de passagem para ir trabalhar.

Um funcionário que não quis se identificar disse que está com a situação financeira muito complicada e que está sobrevivendo de ajuda das pessoas.

“No final de semana umas pessoas doaram cestas básicas para a gente. Eu consegui pegar uma e fiquei muito feliz. Mas eu não precisaria passar por isso se meu salário estivesse entrado na minha conta. Além disso meu aluguel está vencido e eu não tenho mais o que dizer para o proprietário da minha casa”, contou.

Uma colega de profissão, enfermeira, disse que comida na sua casa não falta pois ela trabalha em outro hospital que está com salário em dia.

“A coordenação não dá satisfação para a gente. Não temos acesso à direção e nunca se tem nada para falar. Desde maio sem receber o salário é revoltante. Minha filha é criança e sou a única renda da minha casa. Eu compro comida e deixo de pagar as contas, que estão atrasadas. Tem gente que está faltando pois mora no Rio de Janeiro e não tem mais passagem. Eu sou técnica de enfermagem e eu continuo trabalhar para não desfalcar meu salário e por amor a profissão”, desabafou a técnica em enfermagem.

O salário teria que ter sido pago no quinto dia útil (5 de junho), mas ainda não foi depositado e infelizmente é a realidade desses trabalhadores, que sofrem há anos com a falta de comprometimento da empresa que administra o hospital, o Instituto Lagos Rio. A Organização Social (OS) foi alvo da Operação Pagão, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), no final de junho onde foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão. Os crimes investigados foram de formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. O objetivo foi prender integrantes da OS acusados de desvio de R$ 9,1 milhões.

“O desvio de dinheiro público se dava com o pagamento de valores superfaturados em favor de sociedades empresariais, sob o pretexto da aquisição de produtos ou terceirização de serviços necessários ao atendimento das unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais administrados pelo Instituto Lagos Rio. A ação narra que as contratações de serviços e as aquisições eram direcionadas para empresas pré-selecionadas, controladas ou previamente ajustadas para o esquema”, afirmou o Ministério Público.

O Instituto Lagos Rio, responsável pela administração do hospital e o MPRJ também não se posicionaram até o fechamento dessa edição.

Já a Secretaria Estadual de Saúde informou através de nota que foi autorizado na sexta-feira (3) um repasse de R$ 66 milhões para pagamento de salários de várias unidades de saúde da rede estadual, entre elas o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat). A SES disse ainda que, nesta semana, a Superintendência de Orçamento e Finanças da secretaria fará o depósito de R$ 20,4 milhões para o pagamento da folha salarial referente ao mês de junho dos funcionários do Heat e do custeio da unidade.

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