Funcionários do Hospital Alberto Torres continuam com salários atrasados

Os funcionários do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, continuam lutando pela regularidade dos salários. Os meses de maio e junho ainda estão atrasados e alguns trabalhadores estão marcando uma manifestação, na frente da unidade, na sexta-feira (31), para exigir respeito. Eles afirmam que a situação está muito desrespeitosa e o trabalho é feito com medo, já que a liberdade de expressão não é respeitada pela direção. No início desse mês uma técnica de enfermagem foi mandada embora sem explicações após se identificar em matérias jornalísticas sobre o atraso nos acertos.

O repasse da verba da Secretaria de Estado de Saúde (SES) para a organização social Instituto Lagos Rio está sendo feito de forma atrasada desde o início do ano, e com isso um dos principais hospitais da Região Metropolitana está com atendimento prejudicado. Cerca de mil funcionários, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, trabalhadores administrativos e seguranças estão nessa situação e sem previsão de acertos.

“Não recebemos e estou com salário atrasado. Ligo paro o hospital e o setor me diz que se eu estou com salário atrasado e todo mundo também está. Eu estou sem dinheiro para sustentar minha casa e estou tendo que escolher entre pagar a conta de energia ou comprar comida. O plano de saúde da minha filha está atrasado e eu estou em uma situação de medo. Tenho medo de me mandarem embora caso eu reclame muito”, contou uma enfermeira que não quis se identificar com medo de represálias.

E foi justamente o que aconteceu com a técnica em enfermagem Isabella Nanubia, de 39 anos, que após se reportar à direção do hospital e pedir esclarecimentos sobre o pagamento dela e dos amigos de trabalho, foi demitida sem explicação.

“Eu dei entrevistas e mostrei meu rosto e meu nome. Estava, e estou, lutando por um direito básico que é receber após trabalhar. Eles me demitiram durante meu plantão de atendimento na emergência. Sabia que isso poderia acontecer mas não acreditei que eles fariam isso com uma pessoa que estava reivindicando um direito. Meus colegas estão com medo. A minha demissão foi um ‘cala a boca’ de todos os funcionários que estão com salários atrasados. Eu amo aquele hospital. Acho que todo mundo deve estar com pagamento em dia e saúde física e mental em dia”, contou a moradora de São Gonçalo.

Os acertos teriam que ser feitos no quinto dia útil (5 de junho e 7 de julho) ainda não foram depositados. A SES não se manifestou sobre o assunto. O Instituto Lagos Rio, responsável pela administração do hospital, informou que ainda não recebeu repasses da pasta.

MINISTÉRIO PÚBLICO

A Organização Social (OS) Lagos Rio foi alvo da Operação Pagão, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), no final de junho, onde foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão. Os crimes investigados foram de formação de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. O objetivo foi prender integrantes da OS acusados de desvio de R$ 9,1 milhões.

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