Funcionários do Azevedo Lima denunciam precariedade e coação

Wellington Serrano –

Que a saúde pública estadual não anda bem das pernas todo mundo já sabe, mas a denúncia é de coação e parte dos funcionários. Profissionais que atuam no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, relatam que estão trabalhando sem pagamento e sendo coagidos pela Organização Social que administra o hospital, a Instituto Sócrates Guanaes. Um enfermeiro teria sido demitido após reclamar de direitos, dizem os companheiros de trabalho.

“É lamentável, mas é o que estamos passando aqui. Estamos sem a quarta parcela do décimo terceiro do ano passado, salário com atraso de 17 a 20 dias, sem previsão do décimo terceiro desse ano, porque a primeira parcela que deveria ser paga no dia 30 de novembro”, disse um profissional que pediu para não ser identificado.

Já um enfermeiro, que também prefere não se identificar, relata sua angústia diante do descaso do hospital. “Formamos uma comissão para representar os funcionários do hospital junto ao diretor, mas ele mesmo não esteve presente na reunião e mandou um representante e a gerente de enfermagem”, disse. “Somos coagidos o tempo todo. Deixamos claro que iríamos fazer uma paralisação e, diante dessa afirmação, fomos ameaçados pela direção. Eles disseram que vamos nos arrepender se levarmos para a mídia o que acontece na unidade”, disse outro profissional.

Os funcionários acusam o diretor Tiago Veloso de não respeitar nem quem é da comissão. “Ontem um dos enfermeiros que lutava por nós foi mandado embora, outra enfermeira sofreu ameaça e foi impedida de levar uma testemunha durante o momento que foi chamada na direção, sendo assim coagida durante todo tempo”, lamentou um enfermeiro.

Segundo denúncias, a direção avisou que se visse alguma manifestação, o líder do movimento seria demitido por justa causa. “Alegam não ter repasse do Estado e por ser uma organização social sem fins lucrativos não teriam caixa. Mentira pura! Eles têm caixa sim, tanto que mandaram o enfermeiro embora. Como mandam embora sem dinheiro? Sempre que o repasse é feito somos o último hospital a receber porque eles deixam o dinheiro rendendo juros”, acusa uma funcionária que acusa a precariedade no hospital. “Estamos sem papel toalha para secar as mãos, sem papel higiênico, materiais de péssima qualidade”, informou uma funcionária antiga, mas que também teme retaliações.

Segundo informações, funcionários estão doentes e passam necessidades financeiras. Muitas das vezes nem dinheiro para ir trabalhar têm porque a diretoria do hospital não deposita o vale-transporte integralmente. “E se faltar é punido com advertência e suspensão, deixando assim esse funcionário em condições precárias. Cobranças são feitas todo tempo e não nos dão condições de trabalho”, reclama outro enfermeiro.

Manifestação
Os funcionários planejam uma manifestação nesta segunda-feira, mas o medo pode por em risco o ato. “Acho que não acontecerá porque todos estão com medo diante de tudo que está acontecendo. O constrangimento, a coação e a pressão estão deixando os funcionários com medo. Todos revoltados com o que está acontecendo e com medo também porque a ISG, que é a Organização social, tem contrato até dia vinte e sete de fevereiro e nem o fundo de garantia está sendo depositado”, lamentou um funcionário.

A Secretaria de Estado de Saúde informou que vem fazendo repasses ao Instituto Sócrates Guanaes, referente ao contrato de gestão do Hospital Estadual Azevedo Lima. A Secretaria orienta às OSs que priorizem o pagamento de seus funcionários e a assistência aos pacientes e acrescenta que cabe à Organização Social informar e administrar a situação trabalhista de seus colaboradores.
Procurado, o Instituto Sócrates Guanaes não se pronunciou até o fechamento da edição.

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