Funcionários da Viação Mauá se recusam a assinar proposta da empresa

Diversos funcionários da Viação Mauá, em São Gonçalo, estão se recusando a assinar um termo proposto pela empresa de suspensão de contrato de trabalho. Segundo eles, o documento deixa várias dúvidas com relação ao período da medida. Muitos entenderam que o procedimento seria uma manobra, o que revoltou muitos profissionais, pois acreditam que perderiam o vínculo e passariam a trabalhar de forma esporádica e ainda perderiam a cesta básica que era oferecida pela empresa.

“O sindicato orienta os rodoviários que não assinem esse documento e procurem o Sintronac (Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói à Arraial do Cabo). Está em andamento uma negociação coletiva com a empresa exatamente para salvaguardar os salários e os empregos dos funcionários. Essa medida provisória citada anteriormente já foi derrubada na cláusula que suspende os contratos de trabalho”, esclareceu, na manhã de ontem, a assessoria do sindicato da categoria, acrescentando que a repercussão da suspensão do contrato de trabalho foi tão negativa, que o presidente Bolsonaro voltou atrás e revogou o trecho da medida provisória determinada anteriormente.

“Sem o sindicato, não há acordos extrajudiciais. O sindicato está com um plantão jurídico funcionando pela manhã para esses casos. Há diretores na entidade”, acrescentou o Sintronac, revelando ainda que a entidade recebeu informações que o Grupo Salineira, da Região dos Lagos, também estaria adotando o mesmo procedimento.

“Tenho um amigo que trabalha na Mauá e ele me mostrou esse papel (o termo oferecido pela empresa). Eu disse: se eu fosse vocês, não assinava esse documento. O Bolsonaro já fez uma Medida Provisória há pouco tempo em que dava liberdade para as empresas para fazer a suspensão do contrato de trabalho. Essa suspensão era justamente para não mandar ninguém embora. O contrato ficava suspenso. Só que essa medida provisória ele autoriza a suspensão por tempo determinado. Nesse documento da Mauá é por tempo indeterminado, ou seja, vão trabalhar no dia em que eles precisarem e vão passar a receber diária. A Mauá só está dando cesta básica para quem assinar esse papel. Isso está errado. Cesta básica é uma coisa, o documento é outra. Eles não podem condicionar a entrega da cesta à assinatura do documento. Na minha opinião esse documento não é legal”, postou um funcionário nas redes sociais.

Procurada por A Tribuna, a Viação Mauá informou que a informação não procede. Segundo a empresa, a suspensão dos contratos de trabalho foi comunicada em assembleia com os colaboradores realizada no dia 20 de março, e que a entrega da cestas básicas não está vinculada a nada.

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