Funcionários da UFF denunciam operadora de plano de saúde

Funcionários da Universidade Federal Fluminense (UFF) denunciam que a Unimed rompeu, de forma abrupta e unilateral, o contrato do plano de saúde coletivo, que garantia assistência médica aos trabalhadores. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), aproximadamente 3 mil pessoas, entre trabalhadores e dependentes, serão afetadas com a decisão.

De acordo com Pedro Rosa, que é diretor do Sintuff, a ruptura é o “capítulo final” de uma série de restrições que a prestadora tem feito ao contrato, ao longo dos últimos anos. De acordo com ele, há 12 anos novos funcionários passaram a ficar impossibilitados de serem inseridos no plano coletivo. Cabe ressaltar que o contrato existe há décadas e era revisado há cada ano.

“Em abril fomos notificados, Sintuff e Aduff, pela Unimed da ruptura do contrato. Nossos dois sindicatos têm contratos muito antigos, de décadas, mais de 20 anos. Desde 2009 o contrato não pôde ser mais oxigenado, foi uma decisão da Agência Nacional de Saúde (ANS). Deixaram de permitir que entrasse gente no mesmo modelo de contrato. Chegamos a ter mais de 4 mil vidas assistidas, entre servidores e dependentes. Hoje há em torno de 3 mil. Uma quantidade muito significativa de gente que alimenta inclusive os lucros da Unimed”, explicou Pedro.

Ainda de acordo com Pedro, a baixa procura de planos de saúde para “tratamentos convencionais”, no ano passado, fez com que a Unimed tentasse reajustar o contrato em 30%, valor considerado alto pelo sindicato e quatro vezes maior que o índice definido pela ANS, que seria de 8%. No entanto, após uma longa negociação, chegou-se a um acordo para que o reajuste fosse de 15%, ainda acima do desejado pelo Sintuff, mas pela metade do que pretendia a prestadora.

“De 2020 para cá, a nova direção começou a fazer exigências absurdas forçando para romper o contrato. Já tinha começado a pandemia e eles impuseram reajuste de 30%, sem acordo e no nosso contrato é obrigatório ter as duas partes concordando. O índice apresentado pela ANS era de 8% e eles colocaram 30%. Chegamos a ir para a justiça e impedimos que eles aplicassem isso. Já na pandemia, começava a baixíssima procura dos planos de saúde. Ainda assim a Unimed tentou um reajuste em quatro vezes mais do índice. Depois eles reconheceram e concordaram em reajustar 15%”, prosseguiu.

Pedro afirma que, em 2021, havia uma negociação encaminhada para que houvesse um reajuste de 8%. Entretanto, no mês de abril, o sindicato foi surpreendido com a comunicação da ruptura. Com isso, os funcionários receberão assistência apenas até o dia 31 de maio. O diretor afirma que tanto o Sintuff quanto a Aduff tentaram negociar para que a decisão fosse revertida, sem sucesso.

“Em 2021, como passou todo 2020 com baixo índice de procura para tratamentos normais, eles apresentaram um valor alto e disseram que não queriam mais fazer pagamento de taxa administrativa e queriam mudar as cláusulas do contrato. Nós, como sindicato abrimos mão de qualquer taxa, o acordo de reajuste estava encaminahndo para ser de 8% e eles queriam fazer uma mudança no contrato para poder fazer reajustes anuais muito altos. Apesar de estarem tendo reuniões de negociação, de repente eles comunicaram que não querem mais contrato com o Sintuff e Aduff. Nós insistimos, porque é um absurdo no meio de uma pandemia romper o contrato do plano de saúde, há mais de mil epssoas idosas que são sócias e dependem desse plano, pagando mais de 30 anos”, frisou.

O diretor do Sintuff também faz graves denúncias. Ele alega que a Unimed estaria tentando coagir os associados a contratarem planos individuais. Entretanto, os valores são altíssimos. Pedro ainda afirma que o valor do plano para pessoas que ultrapassam os 60 anos de idade sofre reajuste demasiadamente alto.

Por meio de nota, a “Unimed Leste Fluminense esclarece que não houve rescisão abrupta dos contratos coletivos existentes entre esta operadora e a ADUFF e o SINTUFF, sendo importante destacar que se tratam de 2 contratos distintos. A notificação de rescisão dos contratos obedeceu estritamente o que dispõe os referidos instrumentos, com respaldo na legislação aplicável, inclusive a setorial”. Além disso, a companhia destaca que proporcionou também a possibilidade de contratação, por tempo determinado, de plano com tabela especial exclusiva para os beneficiários já contratantes dos planos coletivos (ADUFF e SINTUFF), reduzindo, por consequência, impactos financeiros aos beneficiários que optarem pela migração, sendo esta relevante alternativa oferecida” e que “proporcionou aos contratantes o prazo em dobro (60 dias), de forma que os beneficiários interessados em manter relação com a operadora possam se organizar e fazer a contratação de planos individuais/familiares com tranquilidade.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 1 =