Funcionária é afastada de hospital por queimadura em bebê

Após uma semana da bebê de 6 meses ter 37,5% do corpo tomado por queimaduras de segundo grau, a família continua em, busca de respostas para tamanha crueldade. Na segunda-feira (24) o médico que estava responsável pelo plantão do dia 14 no Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no Fonseca em Niterói, prestou depoimento na 78ªDP, delegacia do bairro onde o caso foi registrado. A mãe da pequena, a cuidadora Luara Porto Duarte de 23 anos, também esteve na delegacia para acompanhar o caso e também prestar depoimento.

O pai da neném, o cuidador Jefferson dos Santos, disse que conversou no final de semana com um médico do hospital, referência no atendimento infantil, e as informações não foram boas.

“Ele me disse que o estado dela é grave por conta da queimadura. A minha filha está usando dois tipos de medicamentos para acelerar o coraçãozinho dela. A minha filha não está bem e ela está com a expressão de dor, mesmo estando sedada. O médico passou um remédio para ela relaxar um pouco mais. É horrível e dói muito em mim. Isso não pode e não vai ficar assim. Minha filha só tem seis meses e como uma pessoa mergulha uma criança em um balde de água sem antes testar a temperatura?”, indagou.

Luara, mãe da bebê, também está inconsolável.

“Por conta das queimaduras o quadro piorou. Fiquei sabendo que a direção do hospital afastou a técnica de enfermagem que foi responsável por isso. No hospital as pessoas não falam direito comigo e eu acho isso tudo uma grande injustiça”, esbravejou.

O delegado da 78ªDP, Luiz Jorge, contou que amanhã vai colher depoimento da enfermeira do plantão do dia do acidente.

“Estamos aguardando a sindicância do hospital. Eles estão apurando e esperando o resultado deles para analisar. O perito firmou que a queimadura foi por água e estamos ainda ouvindo essas pessoas dando continuidade nas investigações”, resumiu.

Na semana passada o responsável pelas investigações explicou também que o perito legista e de engenharia clínica confirmou que realmente o motivo da queimadura foi água quente do boyler da unidade.

“O boyler tem o controle de água quente no sensor interno de 60ºC ele integra na parte de baixo entre 48ºC e 52ºC. Pela dinâmica concluímos que de forma imprudente a enfermeira não tem um sistema e um protocolo, de confirmação de temperatura da água, não tem um termômetro. A enfermeira disse que colocou a criança dentro do balde, a criança estava normal, tirou a criança para limpar passou a toalha e soltou a pele. Uma série de acidentes, foi imprudente e acabou ocasionando essa lesão”, detalhou Luiz.

A Prefeitura de Niterói foi questionada novamente sobre o caso e informou que a direção do Getulinho lamenta profundamente o ocorrido e está acompanhando e prestando toda a assistência necessária para a paciente, que segue internada em estado estável, e para a família, residente em São Gonçalo. A direção do hospital determinou o imediato afastamento da funcionária envolvida no caso e foi aberta uma sindicância para apurar responsabilidades, com conclusão prevista para hoje, que poderá resultar, inclusive, na demissão dos responsáveis por justa causa, diante a gravidade do fato.

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