Fraudes no ingresso por sistema de cotas da UFF contabilizam 57%

Raquel Morais –

O início das aulas da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi na semana passada, mas essa semana já começou com uma notícia que movimentou o campus do Gragoatá. Os candidatos que tentaram ingressar na faculdade por meio das cotas tiveram uma surpresa: dos 698 inscritos apenas 198 foram convocados, sendo que desses 57% das inscrições eram fraudulentas. Os falsários não conseguiram começar a graduação. Ao todo, 113 candidatos tiveram as matrículas negadas.

Dos 85 universitários aprovados pelo sistema, em todas as etapas, 65 seguiram para o início das aulas e 17 desistiram das matrículas. O assunto levantou a discussão da importância das cotas e do respeito pelas regras. “O perfil dos fraudadores é de jovens de classe média que estão aprendendo rapidamente o lado ruim que é a corrupção e a fraude. Uma universidade boa precisa conscientizar os jovens a não optarem pelo caminho da fraude”, explicou frei David Santos, representante da ONG Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).

As fraudes foram identificadas pela Pró-Reitoria de Graduação da UFF e contou com Comissão de Aferição da Autodeclaração de Cor/Etnia, que realiza entrevistas após entrega de documentos e fotografias dos vestibulandos. A moradora da Pavuna, Ana Carolina Mendes, de 18 anos, começou as aulas na semana passada no curso de Engenharia Civil da UFF. Ela estudou o ensino médio no colégio público e conseguiu ingressar na universidade federal através do sistema de cotas. “Sou muito a favor das cotas e acho que somente isso para conseguir mesclar mais a universidade pública. São poucos os negros que vejo nas salas e acho que essa chance deve ser usada por quem se enquadra nesse perfil”, apontou.

“Todas as fraudes devem ser investigadas e também acredito que deveria ser aberta uma comissão para apurar e tomar as medidas cabíveis. Existe um debate frágil no que se refere à identidade racial. A existência da fraude não pode legitimar que a política de cotas não deu certo”, explicou a vereadora Talíria Petrone (Psol).

Segundo nota da UFF, o edital da universidade destina as cotas para “candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas” e também para candidatos com as mesmas autodeclarações que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, mas independentemente da renda.

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