Fotógrafo brasileiro ganha concurso internacional e leva prêmio de R$ 620 mil

Medicina e fotografia se uniram e resultaram em um prêmio no maior concurso de fotografia do mundo, o HIPA International Photography Award. O cirurgião e fotógrafo brasileiro, Ary Bassous, aproveitou que as cirurgias eletivas foram reduzidas durante a pandemia e ele passou a ter um tempo livre nos hospitais, para documentar o momento histórico que estava vivendo.

Ele, que trabalha no Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF/UFRJ) e o Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (HUAP/UFF), passou a fotografar a rotina exaustiva das equipes médicas que trabalhavam na linha de frente do combate à Covid-19.

O que Ary não imaginava é que, em mais um dia de plantão médico, ele ia capturar a imagem de uma colega de trabalho que lhe renderia um prêmio no HIPA.

A Dra. Juliana trabalhava com Ary no Hospital Clementino Fraga Filho e estava iniciando um plantão de 7 horas. Ele reparou que em seu rosto haviam muitas marcas devido aos equipamentos de proteção que precisavam usar para que não fossem contaminados com a Covid-19. “Vamos fotografar hoje?”, disse ele. Ela topou e combinaram de se encontrar na hora do almoço.

Equipe se prepara para mudar paciente intubado da posição de pronação – com a barriga para baixo – para a posição de supinação – barriga para cima – no CIT de covid-19 do HUAP. Foto: Ary Bassous

“Juliana é uma médica nota 10! Primeiro lugar no vestibular, tecnicamente fora de série e profundamente humana. Queria muito fotografá-la e ela queria ser fotografada também. Mas, quando olhei o relógio e vi que já eram 14h30, imaginei que talvez não desse certo naquele dia. Mas o telefone tocou: era ela. Encontrei-a no vestiário, onde os profissionais se trocam e descansam. Ela estava meio dura. Pedi que relaxasse, então, ela fechou os olhos, meio como quem desliga de tudo. E foi a foto que resultou desse momento que escolhi para inscrever no prêmio”, disse Ary.

No resultado o júri do Hipa declarou: “As marcas em seu rosto compartilham as dolorosas histórias humanas que têm consumido o mundo inteiro. A foto carregada de emoção capta a dor do nosso mundo, hoje”.

Máscaras faciais individuais de profissionais de enfermagem no setor de internação do HUAP/UFF – Foto: Ary Bassous

Na descrição da foto (veja abaixo): “A Dra. Juliana Ribeiro acaba de tirar o equipamento de proteção para o almoço, após 8 horas de trabalho contínuo no pronto-socorro Covid-19. Sinais claros de uso prolongado e repetido desse tipo de equipamento aparecem em seu rosto. Seus traços refletem grande esforço e extremo cansaço devido ao compromisso humano com seu dever moral. O que te agarra é a pitada de tristeza em seu rosto ao sentir a dor pela humanidade, pois as mortes no Brasil ultrapassaram meio milhão de pessoas por conta da pandemia. Esta foto foi tirada no Hospital Universitário Clementino Fraga Velho no Rio de Janeiro, Brasil”.

Foto: Ary Bassous

“Receber o grande prêmio do Hipa é muito importante para a carreira de qualquer fotógrafo. Um reconhecimento internacional de uma instituição de grande prestígio na fotografia. Abre novas portas, sem dúvida!”, diz Ary.

Ao anunciar nas redes sociais que vence o concurso, Ary, com toda humildade, agradeceu a sua modelo. “Hoje é um dia muito especial. Foi anunciada minha premiação no HIPA Awards, @hipaae, com a fotografia de um momento sublime de @julianaribeirodecarvalho em dias de sofrimento. Hoje tenho milhares de registros das linhas de frente da Covid-19, que espero se que se tornem uma referência do olhar fotográfico de um profissional de saúde. Tenho certeza que esse prêmio vai ser de vital importância nesse caminho. Obrigado Juliana!”.

Máscara N95 guardada em recipiente de plástico selado para evitar contaminação por covid19. Foto: Ary Bassous

Como prêmio ele recebeu US$ 120.000 (cento e vinte mil dólares), o que equivale na cotação atual do dólar a R$ 620 mil.

A paixão por duas profissões

Ary, além da medicina, se descobriu apaixonado por fotografia. E conseguiu conciliar as duas coisas por um tempo. Até que precisou escolher. A fotografia precisou ficar restrita às viagens de férias.

“A fórmula que encontrei para manter a fotografia em paralelo foi aproveitando minhas viagens, fotografando paisagens, mas quando descobri a fotografia de vida selvagem, quando me encantei em fotografar animais, encontrei meu nicho e comecei a publicar minhas fotos”.

Reprodução Rede Social

Ary percebeu que estava ficando experiente naquilo que começou como um passatempo. De acordo com ele, em 2014, a imagem de um cupinzeiro no Parque Nacional das Emas, em Góias, foi o que te deu notoriedade. Com ela, ele ganhou o prêmio Wildlife Photographer of the Year, promovido pela BBC e pelo Museu de História Natural de Londres.

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