Fortes chuvas e vento deixam rastro de destruição na cidade

Anderson Carvalho, Augusto Aguiar e Raquel Morais

As fortes chuvas que caíram entre a noite de quarta-feira e as primeiras horas da manhã de ontem deixaram um rastro de destruição no Rio e em municípios da Região Metropolitana. Em Niterói, por exemplo, várias ruas do Centro, Sapê, Largo da Batalha e Região Oceânica tiveram registros de árvores arrancadas pela raiz devido aos fortes ventos que acompanharam as chuvas. Diversas localidades ficaram sem energia por mais de 12 horas também por conta da queda de árvores na rede elétrica e até queda de postes. Técnicos da Defesa Civil tiveram muito trabalho para fazer a limpeza e o mapeamento de áreas mais atingidas.

No Centro de Niterói, placas de vidro da fachada de um prédio na Rua Dr. Borman se desprenderam, caindo sobre a calçada por volta das 6h. A Defesa Civil municipal esteve no local, interditou parte da calçada e emitiu um alerta de risco para administração do condomínio. Na Estrada Fróes, que liga Icaraí a São Francisco, uma árvore caiu com a ventania e quebrou um banco.
Em Icaraí, foi encontrado encalhado na praia um veleiro, chamado A. Reis Bracuhy, que, conforme testemunhas, fora sido preso por um pescador por volta das 3h da madrugada.

Na Estrada da Florália, no Sapê, duas árvores foram arrancadas pela raiz. Uma delas derrubou um poste e a fiação ficou exposta na via, que ficou interditada em parte da manhã para restabelecimento da energia.

No ponto final de ônibus da Praia de Itaipu a rua ficou completamente alagada e motoristas dos coletivos tiveram que parar os carros antes da água. A comerciante Dora Matos, de 63 anos, trabalha no ponto de ônibus vendendo lanches e teve que usar um cabo de vassoura para desentupir o bueiro, na tentativa de escoar a água.

“A água é suja, provoca doenças e atrapalha os motoristas trabalharem, os passageiros subirem no coletivo e consequentemente as minhas vendas”, comentou. Nos estacionamentos da praia de Itaipu a quantidade de galhos quebrados na areia também chamou atenção de quem passava pelo local.

Na Avenida Almirante Tamandaré, em Piratininga, um poste não aguentou o peso de uma árvore que caiu com a tempestade e rachou ao meio. Moradores ficaram mais de 10 horas sem energia.

“Ontem a noite [quarta-feira] faltou luz e isso é muito chato. Minha geladeira está com alimentos que podem estragar, fico sem energia para carregar telefones e outros contratempos”, lamentou o corretor de imóveis Renato Cruz, de 58 anos, que mora em frente ao poste quebrado.

Também em Piratininga, na Avenida Raul de Oliveira Rodrigues, mais conhecida como a rua do túnel Charitas-Cafubá, muitos tapumes de alumínio foram arrancados da estrutura de um terreno com a força do vento.

A Defesa Civil de Niterói informou que a cidade está em estágio de atenção desde a noite de quarta-feira. Afirmou que nenhuma sirene foi acionada até ontem, não houve registro de feridos ou de ocorrências de deslizamentos no município. As regiões do Morro do Bumba, Várzea das Moças e São Francisco registraram os maiores acumulados pluviométricos em uma hora. Também foram registrados ventos de 66km/h em Charitas e 62km/h em Piratininga.

A Defesa Civil municipal conta com plantão 24h de monitoramento meteorológico, com envio detalhado de informações sobre a previsão do tempo e de avisos através do aplicativo Alerta DCNIT, SMS (40199) e grupos no WhatsApp. Em caso de emergência, a população deve ligar para o 199 ou 2620-0199.

ENERGIA ELÉTRICA
O motorista particular Jansen de Carvalho, de 31 anos, ficou sem luz em casa por 11 horas, desde as 20 horas da última quarta. “Desde que voltou há picos de energia, com a luz caindo a cada dez minutos e voltando. Na Rua São José, aqui perto, tem um transformador que está dando problema. Ele não consegue suportar as chuvas”, disse Jansen, que mora na Rua Professor José Teles Barbosa, no Fonseca.

A Rua Desembargador Lima Castro, no mesmo bairro, ficou às escuras às 22h30min de quarta-feira e até o meio da tarde ainda estava sem energia. A situação se repetiu na Rua Augustinho da Paula Bantos, em Itaipu.

A Enel informou que triplicou a estrutura de atendimento para restabelecer a energia aos clientes afetados o mais breve possível. Em Niterói, os bairros mais atingidos foram Pendotiba, Centro, Pé Pequeno, Cafubá, Piratininga, Várzea das Moças, Baldeador, Badu, Itaipu, Viradouro, Icaraí, Charitas e Jurujuba. Em São Gonçalo, Arsenal e Coelho.

RIO DE JANEIRO
Na cidade do Rio, seis pessoas morreram depois do temporal. Dois ônibus foram atingidos por deslizamento de terra e árvore na Avenida Niemeyer. Em um deles, duas pessoas morreram. Uma das vítimas estava sentada atrás do banco do motorista, que conseguiu sair do veículo e teve escoriações. Duas outras pessoas morreram em Guaratiba, na Zona Oeste, e uma na Rocinha.
A ventania também arrastou um veleiro que estava nas proximidades de uma das praias da zona sul para o Arpoador, entre Copacabana e Ipanema. A embarcação ficou encalhada na areia, e os quatro ocupantes foram retirados sem nenhum ferimento. Na favela do Vidigal, na Avenida Niemeyer, a queda de um muro matou outra pessoa.

O governador Wilson Witzel responsabilizou as “prefeituras passadas” pela situação de abandono, além das ocupações irregulares.

“Observei que há uma ocupação desordenada nas encostas, o que acaba provocando tragédias. A Defesa Civil já fez mais de dois mil atendimentos. Estamos à disposição das prefeituras para ajudar no que for preciso e nossos bombeiros estão de prontidão. É preciso ter, definitivamente, um Plano Diretor para tirar as pessoas de alto risco e ter uma urbanização mais adequada. O poder público municipal das cidades tem que fiscalizar e ficar atento a essas áreas de risco”, recomendou.

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