Forças de Segurança ocupam SG por tempo indeterminado

Augusto Aguiar –

Pelo menos 4.300 militares das Forças de Segurança retornaram ao Complexo do Salgueiro, Jardim Catarina e bairros adjacentes de São Gonçalo, no fim da noite de domingo e vão permanecer nas localidades por tempo indeterminado. A ação, que contou também com 120 policiais militares e 80 policiais civis, acontece dois dias após os militares realizarem outra megaoperação na região, durante a sexta-feira.

Desta vez os militares tiveram, entre outros objetivos, remover barricadas erguidas pelo tráfico, realizar revistas em veículos suspeitos, desbloquear ruas e vias e abrir caminho para atuação das polícias Civil e Militar, no cumprimento de mandados de prisão. As Forças de Segurança, com apoio de veículos blindados e aeronaves, foram bem recebidas pela população, que passou a ter maior sensação de segurança. Segundo informes, com a chegada dos militares muitos criminosos, sobretudo os que são procurados pela Justiça, foram surpreendidos e teriam fugido para municípios vizinhos.

Desde o fim da noite de domingo, um grande contingente de militares e veículos foi deslocado para a cidade. Junto aos blindados, também seguiram carretas levando retroescavadeiras e caminhões basculantes, que foram usados para remoção de entulhos e detritos usados como barreiras erguidas pelo tráfico em bairros que formam o Complexo do Salgueiro, além do Jardim Catarina, Trindade, Boaçu e Jardim Miriambi. Apesar do grande contingente militar deslocado para a região, até o fim da manhã de ontem seis pessoas haviam sido presas, um menor apreendido, sete barricadas removidas e quatro carros e uma moto recuperados. Também foram apreendidos um revólver, uma pistola e uma carabina calibre 12 semiautomática, um fuzil 762 desmontado, além de drogas e uniformes militares camuflados.

Mesmo com alguns contratempos, como trânsito congestionado, várias blitzes e abordagens para revistas de rotina, o balanço para a população foi positivo.

“Quem dera se fosse assim todos os dias. Os bandidos provavelmente estão esperando eles (os militares) irem embora para retornarem e aterrorizarem”, afirmou um morador das imediações da Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), no Jardim Catarina.

No Jardim Catarina foram removidas barricadas posicionadas entre a Avenida Albino Imparato e a Rua Padre Antônio Vieira. O mesmo ocorreu em ruas do Jardim Miriambi. No fim da manhã, o porta-voz do Gabinete de Intervenção federal no Estado, coronel Carlos Cinelli, concedeu uma entrevista coletiva na Praça Leonor Correa, na Trindade.

“As tropas chegaram na noite de domingo, sem a Polícia Civil. Essa ação é diferente da ocorrida na sexta-feira, quando foi decorrente de uma demanda de criminalidade na região. Por isso nos mobilizamos na ocasião. A operação de hoje (ontem) havia sido planejada pelo Gabinete de Intervenção. Ao perceberem o grande deslocamento os criminosos se retraíram”, relatou o porta-voz.

Cinelli também afirmou que o objetivo da operação de ontem não foi efetuar grande número de prisões ou apreensões, por exemplo.

“Para nós o mais importante foi que o estado entrou nessas comunidades sem que houvesse risco para vidas humanas inocentes. Isso pra nós é positivo. O resultado não foi proporcional ao grande efetivo. Para nós, o que importa é a preservação da vida. Isso é satisfatório. Não podemos nivelar com os criminosos. Nada justifica o dano colateral da perda de uma vida humana inocente”, relatou, acrescentando que até o fim da tarde e início da de ontem seria definido o contingente de militares que permaneceriam na região (chamadas de patrulhas de manutenção) por tempo indeterminado.

Cinelli disse ainda que a tropa não teve dificuldade de deslocamento pela cidade, porque o terreno percorrido não foi íngreme.

“Tudo isso é um apoio para a Polícia Militar. Não estamos aqui para substituí-los. Estamos apoiando o trabalho deles porque a PM não dispõe de setor de Engenharia, nem maquinário adequado para remoção de barreiras”, afirmou Cinelli.

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