Forças Armadas participam de operação conjunta com polícias em São Gonçalo

Augusto Aguiar –

A grande ofensiva, que estava sendo aguardada com muita expectativa nos últimos meses, finalmente aconteceu na manhã desta terça-feira (07), quando cerca de 3.500 agentes – das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), da Força Nacional, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Civil (delegacias do Rio, Niterói, São Gonçalo e especializadas), e Militar, com apoio de veículos blindados – tomaram as ruas do Complexo do Salgueiro e bairro adjacentes em São Gonçalo. O gigantesco aparato policial e militar amanheceu na região, com objetivo de reprimir a criminalidade, sobretudo tráfico, numa das regiões consideradas mais perigosas do Estado na atualidade. A ação fez parte do Plano Nacional de Segurança Pública no Rio, iniciado no final do mês de julho.

De acordo com a Polícia, nos bairros que compõem o complexo de comunidades estariam situados esconderijos e bases dos criminosos mais procurados do Estado, que além da venda de drogas ainda estariam praticando roubos de cargas, de veículos, de transeuntes, além de homicídios. Ainda não havia amanhecido quando o grande comboio de veículos militares passou pela Avenida Brasil e cruzou a Ponte Rio-Niterói, acessando a Rodovia Niterói-Manilha. Um batedor da Marinha levou uma fechada de uma viatura da Polícia Civil que estava no comboio e caiu na Ponte Rio-Niterói, nas imediações da Praça do Pedágio. O militar foi atendido pela equipe da concessionária Ecoponte e seguiu no trajeto. A ponte chegou a ser fechada em direção a Niterói por pelo menos três vezes durante o deslocamento das tropas.

Operações em outras comunidades
Bastou a população perceber que as Forças de Segurança estavam atuando intensamente para que diversos informes fossem repassados para o Disque Denúncia, que registrou 42 chamados até o fim da manhã de ontem, informando possíveis esconderijos de armas, bandidos e drogas. Os informes foram repassados para o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, no Rio, onde representantes de todas as instituições envolvidas na operação estavam acompanhando e orientando, em tempo integral, os desdobramentos, desde as 4h30min da manhã. Até o início da tarde, sete criminosos haviam sido presos e levados para a base da megaoperação, na sede da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), no Centro de Niterói. Contra um dos acusados havia três Mandados de Prisão pendentes. Um dos presos e o menor apreendido foram surpreendidos no Anaia. Jhonyel Gonçalves Dias e o menor foram flagrados com drogas e dois radiotransmissores. Foram presos ainda: David Maia Nolasco, acusado de dois latrocínios (roubos seguidos de morte); Maykon do Nascimento e Luis Claudio Rafael Baptista, no bairro Itaúna, que integra o Complexo do Salgueiro. Os dois tinham Mandados de Prisão em aberto, sendo que Luis Claudio já havia sido preso, fugiu e estava foragido por roubo. Já no bairro Boaçu, os policiais civis prenderam em flagrante Anderson da Silva Siqueira por porte de munição.
Seis carros foram rebocados, sendo um deles um modelo Mercedes, de cor vermelha (avaliado em cerca de R$ 200 mil), que seria do traficante Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o “2N”, acusado de ser o líder do tráfico no Complexo do Salgueiro e um dos principais alvos da operação. Um menor infrator também foi apreendido, além de um galão contendo drogas. Dezenas de motocicletas também foram apreendidas.

Bloqueio se estendeu até para a Baía de Guanabara
Por volta das 9h30min, após receberem informes sobre a ação de bandidos assaltando junto a um posto do pedágio da Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), agentes da PRF (com motocicletas) foram acionados para surpreender os marginais. Houve perseguição e confronto no local e dois agentes foram baleados no pé, sendo socorridos e levados para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no bairro Colubandê. Além do Complexo do Salgueiro, ruas dos bairros do Anaia, Jardim Catarina, Boaçu, além de Porto do Rosa amanheceram ocupadas por Forças de Segurança. Logo no início, os militares e policiais que participaram da ofensiva foram recebidos à bala por bandidos, mas com o revide os marginais bateram em retirada. Segundo o Comando Militar do Leste (CML), desta vez a operação contou até com um cerco marítimo, no qual embarcações da Marinha ficaram de prontidão para evitar fugas com utilização de barcos pesqueiros. Especificamente no Complexo do Salgueiro, duas escolas estaduais e outras unidades particulares não funcionaram por conta do risco de ocorrências de balas perdidas.

Segundo as Forças Armadas, apoiaram a operação 24 veículos blindados e 16 embarcações leves da Marinha, que estavam de prontidão na Baía de Guanabara, além de dois helicópteros. “O diferencial dessa operação é que neste cerco que estamos realizando há também um setor marítimo. Então, também temos embarcações da Marinha do Brasil, que estão participando do cerco na região de São Gonçalo”, afirmou o porta-voz do CML, coronel Roberto Itamar. Todos os agentes tinham em mãos uma relação com os principais alvos da operação, apontados como lideranças do tráfico. Os acessos de vários bairros foram bloqueados por veículos blindados e militares, que junto com a PRF realizou diversas revistas, assim como no interior de comunidades. Os principais alvos eram os bandidos conhecidos como: 2N, Faustão, Schumaker, Nando, Ricardinho, Rosão, Mariola, Playboy, Biscolé, Turista, Dadá e Helton.

Posicionados nos principais acessos ao Salgueiro, como na entrada dos bairros do Mutuá e Itaúna, carros e motocicletas foram revistados. Dentro da localidade a revista foi ainda mais rigorosa, com os militares posicionando blindados e revistando até mesmo mochilas que eram carregadas por menores e crianças. Também foram distribuídos folhetos com orientações para que moradores “mantivessem a calma”, tivessem em mãos seus documentos e dos veículos, e divulgando o número do Disque Denúncia. Nas estradas da Conceição e das Palmeiras, no Salgueiro, a revista esteve ainda mais rigorosa, com os militares se posicionando em postos estratégicos e até no terraço de residências, para o caso de confrontos. “Estou um pouco assustada com toda essa movimentação e quantidade de policiais. Confesso que estou nervosa, mas era preciso acontecer isso. A região está perigosa demais”, afirmou a aposentada e moradora, que se identificou apenas como Vera.

As tropas federais já realizaram desde o mês de julho operações no Morro do Lins, no Complexo do Jacarezinho, Zona Norte do Rio, na Favela da Rocinha, Zona Sul, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel (Zona Norte) e no Complexo de São Carlos, no bairro do Estácio. No dia 27 do mês passado, uma ação com 1,7 mil homens havia realizado outra megaoperação nos morros de São Carlos, Zinco, Querosene e Mineira, no Centro do Rio. Desde então, para desafiar a polícia e aterrorizar os moradores, homens fortes da facção passaram a buscar refúgio no conjunto de comunidades gonçalenses e a impor o pânico na região, que ainda não havia sido “visitada” pelas Forças Armadas. Na mesma região também passou a aumentar de forma alarmante o número de ocorrências de roubos de cargas e caixas eletrônicos, entre outros. De janeiro a outubro deste ano, o Disque Denúncia recebeu, através dos seus canais de atendimento, 741 denúncias referentes a ações do tráfico – entre elas, comercialização de drogas e roubo de cargas no Complexo do Salgueiro.

Principais alvos da operação:
1 – Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o 2N – chefe do tráfico (dois mandados de prisão); 2 – Schumaker Antonácio do Rosário, o Schumaker – chefe do tráfico do Jardim Catarina – foragido do sistema penitenciário desde outubro de 2013 (sete mandados de prisão); 3 – Luis Fernando Rodrigues de Souza, o Nando do Anaia – chefe do tráfico do Anaia (seis mandados de prisão). 4 – Ricardo Severo, Faustão – foragido do sistema Penitenciário desde abril de 2015 (um Mandado de Prisão). 5 – Luis Ricardo Monteiro Cunha, o Ricardinho – segurança do 2N do Salgueiro. 6 – Marcos Antônio Jacinto da Silva, o Biscolé – envolvido em homicídios e tráfico de drogas (sete Mandados de Prisão). 7 – Marcelo Rosa de Souza, o Marcelo Rosão – um dos principais homens de confiança de 2N (quatro mandados de prisão). 8 -Anderson da Cruz dos Santos, o Mariola – um dos principais assaltantes de cargas e roubo a bancos (cinco mandados). 9 – Rafael de Arnoud, o Playboy – gerente-geral do Complexo do Anaia (três mandados de prisão). 10 – Lenilson de Souza Berlamindo, o Turista, Mulçumano ou Marolento – foragido do sistema penitenciário desde junho de 2017, é um dos principais assaltantes de cargas da região (um mandado de prisão). 11 – Marcos Paulo Pereira da Silva, o Dadá da Balança – assaltante de cargas (dois mandados de prisão). 12 – Helton Silva de Souza – Assaltante de cargas (cinco mandados).ole (CICC).

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